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Mundo

População em fuga diz que situação na Líbia é pior do que guerra contra Kadafi

media Mulher francesa recém chegada da Líbia é recebida for oficiais do governo nesta sexta-feira (1). REUTERS/Philippe Laurenson

Segundo depoimentos de pessoas que estão deixando a Líbia, a espiral que está levando o país a uma guerra civil é “muito pior” do que a revolução que derrubou o ditador Muammar Kadafi, em 2011. “O caos está reinando. Não temos governo, comida, combustível nem água. Passamos horas sem eletricidade”, afirmou Paraskevi Athineou, uma mulher grega que vivia no país.

“Já estivemos em guerra antes, com Kadafi, mas agora é muito pior”, completou Athineou, que faz parte de um grupo de 186 pessoas que foram resgatadas de Trípoli por uma fragata grega na madrugada deste sábado (2). Além de 77 gregos, a embarcação levou 78 chineses, 10 britânicos, 12 cipriotas, sete belgas, um albanês e um russo até o porto de Piraeus. Entre eles estavam diversos diplomatas, incluindo o embaixador da China na Líbia.

“Estamos matando uns aos outros”

A Líbia sofre com insegurança crônica desde que Kadafi foi derrubado. O novo governo não conseguiu reunir as milícias que ajudaram a remover o ditador e ainda sofre ameaças permanentes de grupos islâmicos. Na sexta-feira (1), 40 franceses, entre eles o embaixador do país na Líbia, chegaram ao porto de Toulon, no sul da França. Diversos outros países estão evacuando sua população do país magrebino.

“Tantas pessoas morreram para fazer um país melhor. E agora estamos matando uns aos outros em uma guerra civil”, disse Osama Monsour, de 35 anos, funcionário de uma ONG em Trípoli. O conflito entre milícias rivais na capital levou o aeroporto internacional da cidade a ser fechado, enquanto grupos islâmicos estão enfrentando as forças especiais do exército na cidade de Benghazi, no oeste do país.

“Está pior do que em 2011, porque daquela vez estávamos sendo bombardeados pela Organização do Tratado do Atlântico Norte. Agora estamos sendo atingidos pelos próprios líbios. É uma vergonha”, disse Ali Gariani, um líbio casado com uma grega que fugiu na mesma embarcação.

Primeira reunião do congresso

Em meio ao caos, o novo congresso líbio eleito no mês de junho fez hoje sua primeira reunião. O encontro foi boicotado pelos islâmicos que dominavam o parlamento desde a queda da Kadafi. A sessão teve de ser transferida de Benghazi, onde estava prevista para acontecer, para Tobruk, no leste do país, por razões de segurança.

Tanto Benghazi quanto a capital, Trípoli, estão tomadas por conflitos que já mataram mais de 200 pessoas e feriram outras mil nas últimas duas semanas.
 

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