O correspondente da RFI e da Agence France Presse (AFP) no Burundi foi ontem detido enquanto cobria o assassínio do general Adolphe Nshimirimana, cuja viatura foi alvejada por um lança-granadas.
Esdras Ndikumana, experiente jornalista burundês, foi detido e retido durante cerca de duas horas durante as quais sofreu violentas agressões físicas antes de ser liberto e hospitalizado.
"O correspondente não corre risco de vida mas está em estado de choque e apresenta graves contusões" adianta a RFI em comunicado. A rádio internacional francesa protestou oficialmente junto das autoridades burundesas condenando esta "agressão intolerável" e exigindo que se respeite a liberdade de imprensa.
Os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) também "denunciam veementemente", via comunicado, esta "odiosa agressão" e pedem "a abertura imediata de uma investigação".
Também a Associação dos Jornalistas da África de Leste manifesta a sua solidariedade para com o correspondente da RFI. "É evidente que o objectivo desta detenção e destes maus tratos foi o de intimidar Esdras Ndikumana" afirmou o seu presidente Muheldin Ahmed Idris Titawi reiterando que os "meios de comunicação social estão a ser claramente visamos" e que "isso deve cessar".
Recorde-se que, na sequência da crise política que vive o país desde o final de abril, o chefe-de-Estado Pierre Nkurunziza tem apertado o cerco à oposição e à sociedade civil. Muitos órgãos de comunicação social independentes fecharam as portas e jornalistas tiverma de fugir do país ou de se esconder.
Correspondente da RFI no Burundi, Esdras Ndikumana
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