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África

Escândalo sexual mancha a Oxfam

media O governo britânico ameaça deixar de cooperar com a ONG baseada em Oxford. REUTERS/Peter Nicholls

Desde a passada Sexta-Feira, a ONG caritativa britânica Oxfam está na tormenta, com o jornal "The Times" a revelar que funcionários desta organização teriam recorrido a prostituas menores em 2011 no âmbito de uma missão no Haiti logo após o terramoto que matou mais de 200 mil pessoas em 2010. Estas revelações explosivas não deixaram de suscitar a indignação naquele país, designadamente por parte do Presidente Jovenel Moïse que denunciou "uma violação extremamente grave contra a dignidade humana".

Dentro da ONG, o escândalo levou Penny Lawrence, directora adjunta da Oxfam, a demitir-se ontem do cargo, admitindo não ter reagido adequadamente quando tomou conhecimento das preocupações levantadas pelo comportamento de alguns trabalhadores humanitários, designadamente do belga Roland Van Hauwermeiren. De acordo com jornal "The Times" os seus alegados abusos na missão da Oxfam no Chade tinham sido denunciados internamente ainda antes deste último rumar, apesar das suspeitas, para o Haiti após o sismo de 2010, onde o mesmo jornal refere que este responsável e outros funcionários da ONG teriam utilizado fundos da Oxfam para abusar de prostitutas menores em orgias em 2011.

Logo após estas ocorrências, foi lançado um inquérito interno, a Oxfam garantindo ter demitido quatro funcionários, outros três tendo abandonado as suas funções antes mesmo do fim da investigação. Só que de acordo com um artigo publicado ontem novamente pelo "The Times", a Oxfam não teria transmitido as informações de que dispunha quando alguns dos seus ex-funcionários foram contratados por outras ONGs, como foi o caso para Roland Van Hauwermeiren que, apesar das suspeitas de abusos sexuais no Haiti, acabou se tornar chefe de missão entre 2012 e 2014 no Bangladesh na Acção Contra a Fome.

Todavia, esta poderia ser apenas a ponta do iceberg. De acordo com revelações hoje de Helen Evans, antiga responsável no seio da Oxfam, haveria uma "cultura de abusos sexuais" dentro desta ONG, um inquérito interno junto de 120 pessoas em 3 países entre 2013 e 2014 tendo revelado que 11 a 14% teriam sido vítimas ou testemunhas de agressões sexuais. Ainda segundo esta investigação citada por Helen Evans, quatro pessoas foram vítimas de violações ou tentativas de violações na missão da Oxfam no Sudão do Sul.

Perante estas revelações, a Secretária de Estado britânica para o Desenvolvimento Internacional, Penny Mordaunt, apelou todas as ONGs a reforçar os seus dispositivos de controlo interno, esta responsável tendo por outro lado ameaçado retirar a dotação pública de 36 milhões de Euros concedida anualmente à Oxfam, cujos dirigentes no Haiti foram convocados pelas autoridades daquele país para prestar explicações na próxima Quinta-Feira.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.