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África

SADC preconiza nova contagem dos votos na RDC

media O chefe de Estado da Zâmbia e Presidente em exercício da SADC, Edgar Lungu, considera que uma nova contagem dos votos poderia "tranquilizar os vencedores e os derrotados". Foto ONU/Manuel Elias

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) preconizou ontem que a República Democrática do Congo proceda a uma nova contagem dos votos das eleições presidenciais de 30 de Dezembro e apelou à formação de um governo de união num contexto em que os resultados eleitorais têm sido postos em questão por várias entidades.

Depois de um fim-de-semana em que foi formalizado o recurso do opositor Martin Fayulu que, segundo os dados da Comissão Eleitoral Independente (CENI), chegou em segundo lugar nas presidenciais com um pouco mais de 34% dos votos perante Felix Tshisekedi, declarado vencedor com um pouco mais de 38% dos votos, continua em aberto o contencioso em torno das eleições gerais congolesas.

Fayulu, que reclama para si a vitória com 61% dos votos, acusou o campo do Presidente Kabila, chegado em primeiro lugar nas legislativas, de ter operado um "golpe eleitoral" com a cumplicidade de Felix Tshisekedi.

Com efeito, se o Supremo Tribunal confirmar os resultados divulgados na passada Quinta-feira, será investido como Presidente no próximo dia 22 de Janeiro Felix Tshisekedi, mas em regime de coabitação com um governo sustentado pela larga maioria parlamentar conquistada pelo campo do Presidente cessante Joseph Kabila.

De acordo com a CENI, sobre os 500 deputados que contabiliza o parlamento, no passado dia 30 de Dezembro, cerca de 350 mandatos recaíram sobre o partido de Kabila, uns 50 foram obtidos pela coligação de Tshisekedi e cerca de 80 foram para o campo de Fayulu.

Neste cenário em que desde o anúncio dos resultados, a Igreja Católica emitiu logo reservas, pedindo à ONU que sejam publicadas actas do escrutínio "de modo a afastar dúvidas", a União Europeia assim como a Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos fizeram um pedido no mesmo sentido, os Estados Unidos exigiram "esclarecimentos" e exortaram todos a "manterem a calma" enquanto por seu turno hoje, a igreja protestante congolesa apelava às entidades competentes para "aplicarem o direito" relativamente aos contenciosos eleitorais.

Já a SADC foi mais longe e pediu ontem que os votos sejam novamente contados "para tranquilizar os vencedores e os derrotados" mas, por outro lado, também preconizou que os dirigentes congoleses encaminhem negociações com vista a formar um governo inclusivo.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.