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África

Sudão: principal opositor apela à saída de Bechir

media O opositor Sadek al-Mahdi aquando do seu regresso ao Sudão no 26 de Janeiro de 2016, após quase dois anos de exílio. REUTERS/Mohamed Nureldin Abdallah

O principal dirigente da oposição no Sudão, Sadek al-Mahdi, apoiou hoje publicamente o movimento de contestação vigente há mais de um mês no país, depois do executivo de Omar al-Bechir ter anunciado que o preço do pão iria triplicar. O balanço oficial da repressão das manifestações de protesto é de 30 mortos, mas ONGs de defesa dos Direitos Humanos falam em mais de 40 mortos.

Perante centenas de fiéis reunidos na mesquita de Omdurman, cidade vizinha da capital, Sadek al-Mahdi, principal líder da oposição disse que "o regime deve partir imediatamente de modo a ser substituído por um governo de transição".

Último Primeiro-ministro democraticamente eleito no Sudão antes de Omar al-Bechir tomar o poder em 1989, Sadek al-Mahdi dirige al-Oumma, um das mais antigas formações políticas do país. Ele assinou hoje um documento com a associação dos profissionais sudaneses, estrutura que tem conduzido as manifestações desde o passado mês de Dezembro. "Trata-se de um documento para a mudança e a liberdade" disse o líder da oposição ao confirmar que vão dar continuidade aos protestos dentro e fora do país e ao condenar, ao mesmo tempo, a utilização de balas reais contra os manifestantes.

De acordo com um balanço oficial, desde que começaram as marchas, no passado 19 de Dezembro, morreram 30 manifestantes. Ainda ontem, a repressão dessas concentrações causou 2 mortos, segundo as autoridades. Todavia, organizações como a Human Rights Watch ou a Amnistia Internacional falam, por sua vez, em mais de 40 mortos. O próprio Sadek al-Mahdi mencionou, quanto a si, uns 50 mortos.

Além das vítimas mortais, desde o começo desta crise, o Serviço Nacional de Informação e Segurança, o braço armado do regime, deteve dezenas de líderes da oposição, activistas e jornalistas. Na passada Quarta-feira, os Estados Unidos apelaram para que sejam soltos imediatamente e que se encaminhe um "inquérito credível e independente" sobre os mortos e feridos durante as manifestações.

Depois de ter anunciado que o preço do pão iria triplicar num país já estrangulado economicamente, Omar al-Bechir que é alvo de acusações de Crimes de Guerra, Crimes contra a Humanidade e persona non grata em várias zonas do globo, está a enfrentar aquela que é considerada uma das piores crises do seu regime.

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