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África

Argélia: E depois do Adeus ?

media Abdelaziz Bouteflika (centro) apresentou a sua demissão ao presidente do Conselho constitucional. ENNAHAR TV / AFP

Cerca de dois meses de manifestações foram necessários para alcançar o principal objectivo dos protestos: a demissão do Presidente da Argélia.

Na terça-feira à noite, Abdelaziz Bouteflika apresentou a sua demissão ao presidente do Conselho constitucional.

É o fim de uma novela que se arrastava há quase dois meses com os protestos nas ruas, primeiro a pedirem que Bouteflika não se apresentasse a um quinto mandato. Depois, com a renúncia de Bouteflika, os manifestantes queriam a sua demissão imediata para haver eleições presidenciais.

Segunda-feira, Abdelaziz Bouteflika anunciou que ia fazê-lo antes de 28 de Abril, quando terminava o mandato, mas na terça-feira, e novamente com a pressão dos militares, decidiu sair imediatamente.

Que transição?

Com a saída de Abdelaziz Bouteflika, é o presidente da câmara alta do Parlamento, Abdelkader Bensalah, que vai liderar a transição e deverá organizar eleições dentro de 90 dias.

Qual é o papel que desempenhará o exército neste processo? Esta é a interrogação que muitos sectores se colocam.

De lembrar que o posicionamento do chefe do Estado-Maior do Exército argelino, general Ahmed Gaid Salah, exigindo a demissão de Bouteflika, sob a pressão da rua, pode ter sido determinante neste desfecho.

Os militares poderão também, provavelmente, pesar no cenário da convocatória por Abdelkader Bensalah da data de novas eleições visando encontrar aquele que vai suceder a Abdelaziz Bouteflika, após 20 anos no poder.

O Conselho Constitucional da Argélia aceitou hoje a renúncia do Presidente Abdelaziz Bouteflika, que anunciou a sua decisão na terça-feira, depois de seis semanas de protestos populares.

António Dias Farinha, especialista no mundo árabe ligado à Universidade de Lisboa, não acredita que esta crise vai desencadear um grande fluxo de refugiados. Um cenário que era temido nomeadamente plas autoridades francesesas.

António Dias Farinha, especialista no mundo árabe 03/04/2019 ouvir
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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.