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África

Mali: cerca de 100 mortos em ataque a aldeia dogon

media Mapa localisando a aldeia de Sobane-Kou no centro do Mali, onde na madrugada de 10/06 cerca de 100 pessoas da etnia dogon foram assassinadas AFP

 

Pelo menos 95 pessoas foram assassinadas e 19 estão dadas como desaparecidas, após um ataque na madrugada desta segunda-feira contra uma aldeia dogon, no centro do Mali, onde a 29 de Março mais de 150 fulas foram massacrados.

O conflito no Mali alastra do norte ao centro e cada vez mais ameaça a capital Bamako, a cerca de 300 kms do último ataque ocorrido na madrugada desta segunda-feira (10/06), que matou pelo menos 95 pessoas, estando ainda 10 dadas como desaparecidas, na aldeia de Sobane-Kou, perto da cidade de Sangha, no distrito de Bandiagara, habitada por cerca de 300 pessoas da etnia minoritária dogon, cujos corpos foram encontrados calcinados e a aldeia destruida.

Alguns sobreviventes acusam a etnia rival fula pelo ataque, em riposta ao ataque de 23 de Março passado em Ogossagou que matou mais de 150 fulas perto da vila de Bankass, também no centro do Mali, o que foi o ataque mais mortífero na história recente do país e que levou à demissão em Abril do governo de Soumeylou Boubeye Maiga.

Carlos Alberto Martins, empresário português residente em Bamako 10/06/2019 ouvir

O empresário português Carlos Alberto Martins, que hà 10 anos reside em Bamako, não descarta a mão externa neste conflito intercomunitário, apesar da presença em massa de forças de interposição como a MONUSMA, G5 Sahel e Barkhane, cujo trabalho é também formar as forças armadas, mas afirma que o dinheiro chegado ao país para tal é desviado.

Desde o golpe de Estado de 2012 as forças armadas malianas viram as suas chefias disputarem-se por rivalidades internas e o controlo de partes do território, bem como o desmantelamento dos agentes do Estado, o que fez multiplicar os confrontos opondo os agricultores sedentários dogon e os pastores nómadas fula.

O Estado maliano perdeu terreno em Mopti face à rebelião touaregue do MNLA - Movimento Nacional de Libertação de Azawad e o seu aliado Ansar Dine, que ocuparam vastas zonas desta região.

Outra oranização jihadista o MUJAO - Movimento para a Unicidade e o Jihad na África do Oeste surgiu também nessa altura e ocupou a cidade de Douentza em Setembro de 2012, da qual foram expulsos em Janeiro 2013 por tropas da operação francesa Serval e numerosos fulas juntaram-se então ao MUJAO.

Desde o aparecimento em 2015 no centro do Mali do grupo ‘jihadista’ Frente de Libertação de Macina, do pregador fula Amadou Koufa, que recruta principalmente pessoas da etnia fula, tradicionalmente pastores nómadas, que os confrontos estão a aumentar entre esta etnia e as comunidades bambara e dogon, grupos sedentários ligados à agricultura e que também criaram as suas milícias.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.