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África

Tunísia: Legislativas eclipsadas pelas presidenciais

media Mesa de voto em Tunis. 6 de Outubro de 2019. FETHI BELAID / AFP

Sete milhões de tunisinos são chamados às urnas, este domingo, para as eleições legislativas, depois de terem sancionado os dirigentes políticos cessantes na primeira volta das presidenciais. O escrutínio decorre uma semana antes da segunda volta das presidenciais e foi eclipsado pelo duelo entre os candidatos presidenciais anti-sistema Kais Saied e Nabil Karoui.

As terceiras legislativas desde a “Revolução de Jasmim” de 2011 estão a ser eclipsadas pelas eleições presidenciais em que, na primeira volta, foram privilegiados dois candidatos anti-sistema: o académico independente Kais Saied e o magnata dos media que está preso e a ser investigado por fraude fiscal e branqueamento de capitais, Nabil Karoui. A segunda volta é no próximo domingo.

Na senda da vontade de renovação política manifestada nessa primeira volta das presidenciais, o próximo Parlamento deverá estar dividido em uma grande diversidade de formações políticas, incluindo muitas novatas.

Mais de 15.000 candidatos concorrem aos 217 assentos parlamentares, numa assembleia até agora dominada pelos islamitas moderados do Ennahdha que tinham feito, há 5 anos, uma aliança - entretanto dizimada pelas lutas de poder - com o principal partido do centro, o Nidaa Tounes. Este pode mesmo desaparecer da paisagem política, segundo as sondagens.

Os estudos de opinião apontam que o Ennahdha está taco-a-taco com o Qalb Tounes, criado há menos de seis meses por Nabil Karoui, o magnata oriundo do Nidaa Tounes, que está preso e é finalista nas presidenciais.

Para as legislativas, muitos novos rostos deverão surgir, entre independentes e novos partidos, como o movimento Aïch Tounsi, da sociedade civil, ou a coligação Karama, do advogado populista Seifeddine Makhlouf.

Os partidos apontados como favoritos, o Ennahdha e o Qalb Tounes, excluíram oficialmente qualquer aliança. O partido vencedor terá dois meses para tentar alcançar uma maioria, mas prevê-se que as negociações sejam difíceis. Face à impossibilidade de garantir uma maioria estável, um executivo poderá cair em qualquer momento.

As legislativas são decisivas porque está em causa a relação de forças, os equilíbrios políticos e a governação nos próximos cinco anos. É também na Assembleia que se vão debater questões cruciais para os tunisinos, como a economia em crise, a elevada taxa de desemprego, os deficientes serviços públicos e a inflação persistente.

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