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Artigo

Milhares vão às ruas de Nova York protestar após absolvição de policial do caso Garner

media "Justiça para Garner", pediram os manifestantes. REUTERS/Eric Thayer

Milhares de pessoas protestaram, nesta quarta-feira (3), em diversos bairros de Nova York, após a decisão de um júri de não indiciar um policial branco envolvido na morte de Eric Garner, ocorrida no mês de julho. Mais de 30 pessoas foram detidas, segundo a polícia local. A vítima era um homem negro de 43 anos, pai de seis filhos. Os protestos acontecem 10 dias após uma decisão judicial parecida, no caso de Ferguson. Com informações dos correspondentes da RFI em Washington e Nova York, Anne-Marie Capomaccio e Karim Lebhour.

Durante uma ação policial, em julho, contra supostos vendedores ilegais de cigarro, o policial Daniel Pantaleo foi visto agarrando o vendedor Eric Garner pelo pescoço e, na sequência, imobilizando-o no chão (assista ao vídeo no final desta página). Durante a abordagem, o vendedor, obeso e asmático, diz que não consegue respirar e perde consciência.

O médico legista que o atendeu disse que o caso foi de homicídio. O policial não será indiciado por decisão do júri, mas o ministro da Justiça, Eric Holder – antigo ativista dos direitos humanos que está deixando o governo –, anunciou a abertura de uma investigação federal sobre uma eventual violação dos direitos cívicos do vendedor de cigarros.

Os protestos ocorreram ainda sob o clima de consternação na cidade de Ferguson, onde um grupo de jurados também decidiu não indiciar um policial branco que provocou a morte de um jovem negro, Michael Brown, de 19 anos. O caso provocou uma onda de revolta em diversas cidades dos Estados Unidos.

Repercussão

Logo após a decisão do tribunal em Nova York, o prefeito da cidade, Bill de Blasio – que é casado com uma mulher negra –, se deslocou até State Island, distrito onde ocorreu a abordagem policial. “É um dia doloroso para Nova York”, disse ele. “Não posso deixar de pensar como seria perder meu filho Dante. Chirlane e eu o alertamos há anos sobre possíveis confrontos com policiais que deveriam lhe proteger. É a realidade”, afirmou o prefeito. O governo Obama não esconde sua contrariedade com a decisão do júri, e o presidente disse que seguirá o caso de perto.

A comunidade negra americana está há quatro meses mobilizada em protestos em diversas cidades. O advogado do caso Brown, Benjamin Crump, disse que a nova decisão tende a inflamar ainda mais as manifestações: “Não sei mais o que precisamos mostrar na Justiça para que um policial seja considerado culpado pela morte de uma pessoa negra. A família Brown e a família Garner não têm nenhuma chance de obter justiça. As pessoas estão frustradas, pois não há igualdade”.

Após a decisão do júri, milhares de pessoas se reuniram na estação Grand Central, em Times Square e no Rockefeller Center aos gritos de “I can’t breathe” ("não consigo respirar"), em referência às últimas palavras de Eric Garner. A frase foi repetida pela vítima 11 vezes, o que foi registrado em vídeo. A família contava com a filmagem para persuadir o júri sobre a culpa do policial.

A infração de Garner

A maior parte dos juristas americanos apostava em uma condenação do policial, talvez não por assassinato culposo, mas certamente por ter provocado a morte sem intenção. Os especialistas se baseiam no vídeo divulgado desde o dia 17 de julho.

Garner era acusado de vender cigarros que não eram nem mesmo fruto de contrabando. O crime cometido, a sonegação de impostos, era passível apenas de multa.

 

VíDEO: a abordagem que causou a morte de Eric Garner.

 

 

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.