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Angola

Fotógrafo Sebastião Salgado torna-se imortal

media Sebastião Salgado ontem durante o seu discurso na Academia de Belas Artes de França. Daniella Franco/RFI

O fotógrafo franco-brasileiro Sebastião Salgado tomou posse ontem, nesta quarta-feira, como novo membro da Academia de Belas-Artes da França, em substituição do primeiro fotógrafo que integrou a academia, Lucien Clergue, que faleceu em 2014. Aos 73 anos, após percorrer o mundo para restitui-lo a preto e branco, Sebastião Salgado é o primeiro artista de origem brasileira a tornar-se imortal aqui em França.

Oriundo de uma família camponesa de Minas Gerais, zona a norte do Rio de Janeiro, Sebastião Salgado é o único rapaz entre sete irmãs. Formado em economia na Universidade de São Paulo, muito cedo em 1969, parte rumo a Paris para se especializar na área de economia agrícola, chegando a efectuar estágios na sede da FAO em Roma, antes de trabalhar para a Organização Internacional do Café em Londres entre 1971 e 1973.

A partir dessa altura, ele muda totalmente de rumo, deixando vir ao de cima a sua paixão de autodidacta pela fotografia. Ligando-se a conhecidas agências fotográficas, sucessivamente a Sygma, Gamma e a Magnum, antes de criar a sua própria estrutura em 1994, a Amazonas Images, ele percorre o Brasil de lés a lés para descrever em fotografia as condições de vida das populações mais esquecidas, mas cobre também a independência de Moçambique e a guerra em Angola.

Ele vai também para outros cantos do globo, nomeadamente em 1986 no Sahel cujas imagens de populações a sofrer de fome marcam os espíritos. Interessa-se pelos mineiros da Índia, os trabalhadores da área do petróleo ou ainda e mais recentemente os migrantes bem como as regiões do globo ameaçadas pela actividade humana, com um olhar de sombra e luz que aos poucos se tornou a sua marca e o identificaram como um dos melhores fotógrafos do mundo.

Ontem, durante uma cerimónia oficial na qual marcaram presença académicos, amigos e personalidades do mundo cultural francês, designadamente outro grande fotógrafo Yann Arthus-Bertrand que lhe prestou homenagem, o fotojornalista não escondeu a sua emoção. “Estar aqui, neste local emblemático da cultura francesa, é para mim uma grande emoção. Nasci no Brasil. Tenho orgulho de minha origem. Eu reivindico-as”, declarou o fotógrafo no seu discurso de agradecimentos na capela da Escola Nacional Superior de Belas Artes, aqui em Paris, antes de considerar um “enorme privilégio fazer parte dessa concentração de mais de 200 anos de cultura francesa”. Um sentimento que também partilhou com a RFI.

Sebastião Salgado entrevistado por Patrícia Moribe 07/12/2017 ouvir

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