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Angola

Angola doente da sua saúde

media As águas estagnantes nos subúrbios de Luanda. AMPE ROGERIO / AFP

Seis meses após a investidura de João Lourenço, são muitos os desafios que o actual presidente de Angola tem pela frente, um deles é a saúde. Perante à epidemia de paludismo que causa anualmente miliares de mortos, a erradicação da doença tornou-se uma prioridade nacional.

 

Em reportagem em Luanda, Sonia Rolley visitou o hospital público de Cazenga, um hospital de referência na capital que tem, ainda assim, carência de material e onde as crianças continuam a morrer diariamente após terem sido contaminados pelos mosquitos com malária.

A malária é um problema de saneamento público

Devidas às chuvas intensas, o hospital de Cazenga recebe todos os dias entre 20 e 35 novos casos de malária e deplora 1 a 2 mortos por dia. O pessoal de saúde explica que os riscos de morte devido a doença são causados pelo facto das pessoas preferirem a automedicação em vez de se deslocarem ao hospital.

Para o doutor Miguel, a solução contra a pandemia de malária não é de origem médica. A fonte do problema encontra-se nas péssimas condições de saneamento básico das cidades, nomeadamente em relação ao tratamento do lixo, ao problema das águas estagnantes e a falta considerável de sistema de esgotos. Estes factores provocam o aumento dos mosquitos e a proliferação da doença. Para este profissional de saúde, a solução passa também pela prevenção e a informação.

As crianças mais atingidas pela malária

Segundo o pessoal do serviço de pediatria do hospital, os casos mais sérios continuam a ser as crianças que são mais vulneráveis à doença. As condições sanitárias do hospital são também muito precárias, levando crianças a partilharem a mesma cama. As mães das crianças queixam-se do preço dos medicamentos e muitas delas não podem arcar com os custos. No Hospital, é necessário pagar todos os tratamentos, incluindo as seringas ou as luvas dos enfermeiros.

De facto, os desafios do novo presidente angolano para melhorar o sistema de saúde são muitos. Para o Doctor Maurilio Luyele, membro da Unita, o novo governo vai ter que demostrar uma verdadeira vontade política para resolver os problemas tanto no que diz respeito ao sistema de saneamento público, como na melhoria das condições básicas dos hospitais públicos para reduzir o número de mortos, nomeadamente infantis, causadas pela pandemia em Angola.

Saúde Angola Sonia Rolley 30/03/2018 ouvir

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