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Pongo, a “diva do kuduro” em Paris

Pongo, a “diva do kuduro” em Paris
 
Pongo no Palácio do Eliseu, Paris. 21 de Junho de 2019. RFI/Carina Branco

Ficou conhecida como a voz dos Buraka Som Sistema quando tinha 15 anos. Hoje tem 27 e um primeiro trabalho a solo que foi apresentado no Palácio do Eliseu, em Paris. A angolana Pongo tem sido descrita pela imprensa francesa como a “diva do kuduro” e vai estar, esta sexta-feira, em concerto na sala La Bellevilloise, na capital francesa.

A artista angolana falou com a RFI no dia da música, 21 de Junho, quando levou o kuduro à residência oficial do presidente francês, em Paris. No final, Emmanuel Macron e a primeira-dama subiram ao palco para agradecer a Pongo e às outras artistas mulheres que participaram num “concerto 100% feminino e 100% emergente”.

A angolana fechou a festa com o conhecido “Wegue Wegue”, no qual o público também subiu ao palco, depois de ter feito dançar os franceses com músicas cantadas em português e kimbundu, como “Kuzola” e“Tambulaya”.

É impressionante. Cada vez mais, com todo esse resultado, eu continuo a acreditar nos meus ideais enquanto artista que a música não escolhe nação. Para mim é a melhor forma de a gente partilhar os sentimentos e é ali que a gente vê as pessoas completamente despidas porque eu acho que ninguém finge que está a gostar de uma música, ninguém finge que está a dançar”, contou.

Pongo vai estar em digressão por França este Verão, subindo, por exemplo, ao palco do museu MUCEM de Marselha a 1 de Agosto, ao lado de Mayra Andrade, e ao festival MaMa em Outubro em Paris. Esta sexta-feira está na sala La Bellevilloise, na capital francesa, no âmbito dos concertos promovidos pela estação francesa “Radio Nova”.

Para quem não a conhece, talvez a melhor forma de a apresentar é dizer que é a cantora do “Wegue Wegue” dos Buraka Som Sistema que foi ouvido mais de cinco milhões de vezes no Youtube e que ela interpretou quando tinha 15 anos.

Por detrás desse tema, Wegue Wegue, existe uma história que é a minha vida. Tudo o que vivi, represento e tudo o que eu guardei em termos de memória das minhas vivências em Angola. Falo do meu bairro, falo do meu pai, falo do estilo de variedades de dança bastante tradicionais de Angola, também falo dos emblemas que representam Angola”, descreveu.

Angola continua a influenciar a sua criação artística, nos ritmos e nas letras. O seu primeiro EP, lançado em Setembro do ano passado, “Baia”, é o reflexo disso mesmo e o segundo EP, previsto para Setembro deste ano, vai ser fiel às suas raízes. O primeiro álbum a solo deverá ser lançado no próximo ano.

Baia é sobre uma renovação, uma luta de tudo o que passei até realizar o o meu primeiro trabalho a solo, o meu EP. É uma reinvenção da Pongo. Uma nova Pongo a dizer que independentemente de tudo o que passei, tanto do bom e do mau, tornei-me mais forte e estou de volta para rebentar com tudo de novo e continuar a levar o kuduro para um outro nível, tal como estamos aqui no Palácio do Eliseu a trazer o kuduro para a Presidência”, declarou, sorrindo.

Pongo foi com a família para Lisboa, aos 8 anos, para fugir à guerra civil em Angola. Sete anos depois entrava nos Buraka Som Sistema, graças a uma coincidência que a fez conhecer o seu primeiro grupo numa estação de comboios, os “Denon Squad”. A Lisboa mestiça marcou-a, mas é Angola quem a alimenta ainda hoje.

Angola continua a alimentar a minha criação artística com todas as memórias da infância que eu tenho, todas as vivências que eu tive em pequenina em Angola porque, para mim, foi um pouco prematuro deixar Angola, ir para Portugal e encontrar tudo completamente novo e aquela dificuldade passada com a família pelo facto de ser imigrante na Europa. Quando me deparei com essa diferença, quando tinha oito anos, a única forma de me sentir completa e feliz era reviver as minhas vivências de infância, as brincadeiras de rua, lembrar-me dos meus amigos. O meu pai, de uma forma geral, sempre cultivou a música angolana em casa , havia as festas de família com pessoas amigas de Angola…”

Descrita pela imprensa francesa como a “diva do kuduro”, Pongo mantém a humildade e diz que se limita a “partilhar a sua cena e os seus sentimentos com as pessoas”. “No fundo, todos nós partilhamos o mesmo e vivemos um pouco de tudo. As pessoas, de uma forma ou de outra, encontram sempre algo parecido das suas vidas nas minhas músicas e é uma partilha de sentimentos. Se a partir dali sou uma diva do kuduro ou possa vir a ser mais isso cabe ao público. Também não posso dizer que não aceito [o título de ‘diva do kuduro’’] e agradeço aos 'media' franceses”, concluiu.

Oiça a entrevista completa clicando na imagem principal do artigo.

 


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