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Angola

Angola: enfermeiros protestam contra bastonária da Ordem dos Médicos

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Enfermeiros protestam contra bastonária da Ordem dos Médicos FLORENT VERGNES / AFP

Os enfermeiros angolanos estão em greve de hoje até quarta-feira, solidários com os colegas da província do Huambo, depois de a bastonária da Ordem dos Médicos ter defendido a necessidade de os enfermeiros deixarem de realizar actos médicos.

Em declarações na província do Cunene, a 25 de Maio, Elisa Gaspar defendeu que “o enfermeiro está para auxiliar, ajudar e cumprir as ordens do profissional médico", por isso, a classe deve deixar de usar batas brancas, prescrever medicamentos, solicitar análises clínicas ou outros actos médicos. As palavras da Bastonária da Ordem dos Médicos caíram que nem uma bomba no seio dos enfermeiros, que exigem um pedido de desculpa público.

A decisão da greve foi tomada em Assembleia Geral. Numa nota à imprensa os enfermeiros anunciaram uma paralisação de 72 horas. Durante estes três dias vão limitar o seu trabalho aos “actos de enfermagem” e fazer greve às “actividades médicas por si desempenhadas, designadamente a prescrição de medicamentos em todas as unidades de saúde, incluindo nas urgências, assinatura de boletins de óbito, pedidos de exames clínicos, concessão de altas às parturientes e consultas de planeamento familiar, pré-natais e externas”.

De acordo com a imprensa local, o Sindicato dos Enfermeiros sublinha que as declarações da bastonária da Ordem dos Médicos “desrespeitam a classe” e acrescenta que mesmo depois de vários encontros, a médica pediatra-neonatalogista negou-se a um pedido de desculpa.

Segundo o Jornal de Angola, a bastonária da Ordem dos Médicos disse não haver razões para apresentar um pedido público de desculpas aos enfermeiros pois afirma não ter ofendido a classe e nem ter sido essa a sua intenção.

Por seu lado, Paulo Luvualo, bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola, em entrevista à TV Zimbo, disse que se a intenção da bastonária foi no sentido de cada profissional realizar apenas as tarefas que lhes compete, “só estará a fazer um grande favor aos profissionais de enfermagem”, que, segundo ele, “fazem muito mais do que deviam”.

Com a colaboração de Avelino Miguel, correspondente em Luanda.

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