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Artigo

“Ela é uma espécie de artista”, diz psicanalista francês que encantou Marina Silva

media Marina Silva durante o funeral de Eduardo Campos. REUTERS/Ricardo Moraes

Vista com ceticismo por parte do movimento ambientalista e da esquerda europeia, Marina Silva, que deve ter nesta quarta-feira (20) sua candidatura à presidência oficializada, conta com o apoio do psicanalista francês Alain Didier-Weill, com quem divide experiências e idéias desde o ano passado. “Ela é uma espécie de artista que previu um tipo de sociedade dos sonhos”, diz Didier-Weill.

Autor de teatro e diretor de cinema, o psicanalista conheceu Jacques Lacan em 1968 e foi seu interlocutor por 15 anos. Um de seus livros editados em português, Os Três Tempos da Lei, foi que o conectou a Marina Silva, no ano passado. “Marina desenvolveu uma curiosidade de saber e abriu-se com rapidez e intuição muito grandes”, conta Weill. “Ela encontrou meu livro em uma biblioteca e se apaixonou pelo tema. Então me telefonou para saber se poderíamos organizar um fim de semana de trabalho”.

O encontro rendeu uma mesa-redonda sobre “arte, política e psicanálise” em Paris, em 2013. O livro transita por diferentes temas como música, dança, pintura, religião e a relação entre judaísmo e cristianismo, o que, segundo o psicanalista, demonstra a “curiosidade inacreditável” de Marina: “Ela queria discutir questões que tinham a ver com ela. Eu não sei quais são todas essas questões, eu nunca entendi a questão específica, enquanto ela se apresentava como representante da floresta”.

"Sons da floresta"

Marina Silva e o psicanalista se encontraram novamente em um colóquio no Rio de Janeiro, no início de 2014. Segundo Didier-Weill, a candidata do PSB parece estar interessada na relação da psicanálise com a política ou em “uma sociedade em que a psicanálise não seria desenvolvida apenas em certas pessoas, mas introduzida como saber suplementar, que mudaria a sociabilidade”. E completa: “Ela está em uma busca pessoal e psicanalítica, o que acontece com muitas pessoas. Mas ela pratica isso ao mesmo tempo em que exerce o poder”.

Entre as passagens curiosas das conversas entre a política acreana e o psicanalista francês, segundo o próprio, estaria o momento em que ela contou ter um tigre como seu melhor amigo. "Ela tem ouvidos abertos, graças aos animais da floresta. Marina me disse: é preciso ter abertura para ouvir os sons da floresta, para escutar o que os homens da cidade grande vão ouvir e destruir ao mesmo tempo. Ela disse que, graças à floresta, ela não tem censuras".

Didier-Weill conta que os dois buscaram uma palavra para definir a relação dela com a natureza, mas não encontraram em português, nem em francês. Foi no alemão que acabaram descobrindo a expressão Verblüffung, que traduziria uma admiração ou veneração pelo que é natural.

Movimento ambientalista cético

Embora cultive relações com o Partido Verde francês – em 2013 foi recebida pela então ministra da Igualdade dos Territórios francesa, a verde Cécile Duflot –, Marina Silva é vista com ceticismo por parte do movimento ambientalista europeu.

A inglesa Sarah Shenker, do movimento Human Survival, um dos mais atuantes no Brasil, diz que a proximidade da candidata com a Amazônia pode ser uma vantagem, mas não necessariamente. “Pode ser útil ter alguém que entenda as questões locais, as tensões sobre a terra e as pressões. Isso não quer dizer que ela seria ótima para o direito dos indígenas, não é possível fazer previsões”, afirma Shenker, citando exemplos de políticos locais que jogariam contra os interesses dos movimentos de defesa indígena.

Para Shenker, as dificuldades que Marina enfrentaria com uma eventual vitória eleitoral seria a mesma de governantes em outros países. “Promessas são feitas para se chegar ao poder, incluindo a proteção da Amazônia. Mas no final das contas existe uma enorme pressão sobre o governo brasileiro, principalmente porque a população está crescendo e há o boom econômico, é preciso energia para essa população”.

Partidos de esquerda

A notícia da candidatura de Marina Silva à presidência aterrissa na França em plenas férias de verão e poucos partidos de esquerda se manifestaram sobre a reviravolta nas eleições brasileiras. Mas em algumas correntes internas do Partido Socialista francês, a rejeição ao nome da ex-ministra é grande.

Primeiro, pela pouca consistência ideológica do PSB, que compartilharia pouquíssimos matizes com seu par francês. Segundo, porque, para um interlocutor do partido, a fama de “criacionista” de Marina já é amplamente conhecida – e condenada – por integrantes do PS.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.