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Cabo Verde

Cabo Verde: esterilização de mulheres deficientes ?

media naitreetgrandir.com

A Associação de Promoção das Mulheres com Deficiência - APIMUD - juntamente com o Centro de Investigação e Formação em Género e Família - CIGEF estão a realizar um inquérito destinado a averiguar denúncias sobre a esterelização de mulheres deficientes.

A APIMUD  recebeu até agora três queixas só no Concelho da Praia, cujas esterilizações datariam de há cerca de 15 anos e pede meios para que a investigação possa abranger todo o país  "temos testemunhas ao vivo de esterilizações sem aviso prévio e sem consentimento das vítimas, o CIGEF está a realizar esse estudo, mas ainda está em processo", afirma a sua presidente Nilda Veiga ela mesma deficiente visual desde a nascença.

O inquérito pretende não só fazer um levantamento exaustivo da vítimas, mas sensibilizar os médicos para a necessidade de consentimento das pacientes, no respeito das convenções de que Cabo Verde é signatário.

O objectivo desta Associação é "empoderar as mulheres com deficiências no sentido de conhecerem os seus direitos, reforçar a sua auto-estima, porque muitas vezes nós auto-excluímo-nos...e sensibilizar a sociedade no sentido de mudarem de comportamento e de atitude".

Naldi Veiga, presidente da APIMUD 02/02/2016 ouvir

Nilda Veiga denuncia ainda que as esterilizações são praticadas nos Centros de Saúde Pública da seguinte forma: " as mulheres apanham gravidez, vão lá ter o filho e depois o médico vai falando com a família e é a família mesmo sem a mulher saber que [manda] fazer a esterilização".

A discriminação de mulheres com deficiência é um problema social e cultural e "muitas vezes a família esconde as mulheres deficientes" segundo Nilda Veiga, que apela à ajuda governamental destacando "precisamos de um espaço radiofónico ou televisivo, para sensibilizar  a sociedade e as próprias mulheres com deficiência para denunciarem as violências que sofrem, violência psicológica, abuso sexual, intimidação no local de trabalho" mas reconhece "com as dificuldades de emrego que há, calam-se por medo [de perder o emprego]".  

Tudo começou em 2013 na sede da ONU em Nova Iorque quando foi denuciado um caso, o que levou o Comité para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres - CEDAW (na sigla inglesa) - a fazer uma recomendação na qual "apela o governo de Cabo Verde a desenvolver acções de sensibilização, para promover a denúncia da violência praticada contra as mulheres e meninas com deficiência... porque são mais vulneráveis à violência" afirma ainda Nilda Veiga.

 
Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.