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Conviver com dor não é normal, diz especialista

Conviver com dor não é normal, diz especialista
 
fondation-hopale.org

A dor física incomoda, influencia o humor, pode tirar o sono e levar à depressão. Pode ser aguda, de intensidade curta, ou se arrastar no corpo das pessoas de maneira permanente. Mas a dor crônica, dizem os especialistas, não é normal.

A dor aguda, recente, funciona como um alerta, para promover a cicatrização de uma área machucada. Apesar de desagradável, ela promove a sobrevivência, explica o dr. José Tadeu Tesseroli de Siqueira, presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), serviço público de informação as pessoas e profissionais de saúde.

O médico cita a existência também de pessoas que sofrem de analgesia congênita, ou seja, que não sentem dor, o que as tornam mais suscetíveis a várias doenças, traumatismos, justamente por não terem o “alerta natural da dor”, o que pode levar até à morte precoce. “Por isso a dor, inicialmente, é necessária”, explica. Essa dor, chamada de “aguda”, tem valor biológico. Se a dor persistir por mais de três meses, ela pode ser considerada “crônica”, perdendo o valor biológico. A partir daí, ela precisa ser tratada.

Mapeamento da dor

Uma pesquisa realizada neste ano no Brasil mapeou o comportamento da população em relação a diferentes tipos de dor. O estudo, com parceria da SBED, ouviu 801 pessoas, em 11 capitais das cinco regiões brasileiras. A dor de cabeça é a dor mais mencionada, afligindo 80% das pessoas. Depois, com vieram as dores nas costas e membros inferiores, como pernas e pés. As dores musculares também foram citadas por 40% das pessoas. Ninguém disse nunca ter sentido dor. Onze por cento dos entrevistados sentiam algum tipo de dor constante.

O dr. José Tadeu Siqueira conta que a dor crônica passa a produzir uma série de alterações nos pacientes, que frequentam com mais assiduidade os serviços de saúde: problemas de insônia e imobilismo, por exemplo. Eles também são mais dependentes de medição, se automedicam e apresentam mais transtornos psíquicos, como depressão, angústia, ansiedade e mais são mais propensos ao suicídio.
 


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