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Desporto

Campeão de duplas em Roland Garros, Marcelo Melo faz história no tênis

media Marcelo Melo (à dir.) e Ivan Dodig exibem o troféu conquistado no torneio de Roland Garros. Foto: Reuters

O brasileiro Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig conquistaram na noite deste sábado (6) o título de campeão do torneio de duplas de Roland Garros após a vitória de 2 sets a 1 (parciais de 6.7, 7/6 e 7/5) contra os americanos Bob e Mike Bryan. Marcelo e Ivan ergueram o primeiro troféu de Grand Slam da carreira e fizeram história em seus respectivos países como os primeiros a faturarem o título na categoria.

"A ficha tem que cair ainda. Acho que só vai cair realmente quando chegar ao Brasil", reagiu Marcelo, ainda sob o impacto de uma emoção inédita. Mas o mineiro de Belo Horizonte também consegue enxergar a dimensão da conquista pessoal e para todo um país. "Eu tenho certeza que milhões de pessoas estão felizes nesse momento, e isso me deixa orgulhoso, de proporcionar tanta alegria para os brasileiros", disse.

"A gente sabe que alcançou um 'negócio' que sonha desde pequeninho. Não só eu, mas meus pais que me apoiaram desde o início. Tenho meu irmão como treinador há sete anos, acreditando em mim. Acho que até eles vão desfrutar mais do que eu mesmo”, acredita.

Para chegar totalmente concentrado à final de Roland Garros, Marcelo Melo desligou o celular e preferiu o isolamento, mesmo consciente das inúmeras mensagens que chegavam de seus fãs do Brasil e até de jogadores do circuito. "Não quis falar com ninguém para ficar muito focado. A gente vem jogando bem, mas ao mesmo tempo, a gente ia enfrentar os Bryan. Eu procurei filtrar e ficar focado no presente", explicou.

Final difícil e emocionante

Marcelo Melo e o companheiro Ivan Dodig enfrentaram a dupla que virou lenda no tênis: os irmãos Bob e Mike Bryan, franco favoritos e com 16 troféus de Grand Slam na bagagem, sendo dois no saibro parisiense (2003 e 2013). Foram 2h13 de um combate de titãs. Os dois primeiros sets terminaram no tie break, 7/6 para cada dupla. O primeiro para os irmãos Bryan, (7-5) e o segundo para Marcelo e Dodig (7-5). No terceiro e decisivo set, a partida seguia muito equilibrada, em 5 a 5, até que houve a quebra de serviço e o brasileiro e o croata conseguiram fechar com 7/5.

Marcelo Melo se ajoelhou no chão, abraçou seu companheiro Dodig e se dirigiu às arquibancadas para cumprimentar seus familiares e amigos. Antes, foi saudado por Gustavo Kuerten, tri-campeão de Roland Garros que prestigiou a final da tribuna de honra.

"O Guga sempre me apoiou bastante, sempre me manda mensagens de apoio. Eu não sabia que ele iria ficar tão perto. Realmente é uma ‘pressãozinha’ a mais, mas se você souber canalizar, ela é muito boa. Ele falou coisas positivas: acredita, vai para cima, usas as pernas. Coisas que ele vivenciou e sabia o que eu estava sentindo. Se filtra pelo lado bom, como eu fiz, ajuda demais", comentou.

Marcelo Melo também fez questão de mencionar o apoio que obteve das arquibancadas e dos familiares e amigos. A pequena mas vibrante torcida brasileira apoiou muito a dupla e comemorou a vitória com os gritos de "é campeão".

Bob (à esq.) e Mike Bryan, em lance da final de Roland Garros contra Marcelo Melo e Ivan Dodig. Foto: Reuters/Pascal Rossignol

Nova meta:Wimbledon

Marcelo comentou que sentiu a possibilidade de ganhar o título ao lado de Dodig, com quem vem jogando há quatro anos, no momento do saque, quando a partida já estava em 6/5.

"Quando eu fui sacar, coisa que eu não deveria pensar, mas não tem como, estávamos a um game de ganhar um Grand Slam, em cima da melhor dupla da história, em um torneio importante para os brasileiros, até com o Guga estava na arquibancada… mas essas coisas têm que passar rápido, como um trem. Passa, e vamos ponto por ponto. A experiência de outros torneios também ajudou muito”, disse Marcelo, em referência às finais perdidas para a mesma dupla americana no Grand Slam de Wimbledon e no Master Series de Londres no ano passado.

Marcelo Melo agora vai ao Brasil saborear a vitória histórica e espera que sua conquista tenha bastante repercussão e sirva de motivação aos jovens tenistas. " Espero que represente muita coisa boa para os juniores e para os juvenis, para que eles acreditem que podem chegar lá, independentemente de onde estiverem e de onde treinam. Cada um tem que buscar o seu caminho", afirmou, citando seu exemplo pessoal.

Com a conquista, Marcelo realizou um sonho, mas outros ainda estão por vir. "Meu sonho sempre foi ganhar um Grand Slam. E aquele 1% a mais seria ganhar Wimbledon", confessou o mineiro, sobre o seu torneio favorito, que começa dentro de algumas semanas.
 

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.