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Artigo

Berlusconi enfrenta voto crucial no Parlamento e tenta evitar demissão

media O premiê italiano, Silvio Berlusconi. REUTERS/Alessandro Bianchi

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, enfrenta um novo teste nesta terça-feira, com a votação no Parlamento do balanço das contas públicas de 2010. Com a provável perda da maioria, a demissão do premiê é iminente. O plano de austeridade apresentado aos líderes europeus aguarda ainda um voto de confiança.

Colaboração de Gina Marques, correspondente da RFI em Roma.

A votação das finanças públicas de 2010 pelos deputados vai servir para verificar o apoio ao governo italiano, que está cada dia mais frágil. Os aliados estão abandonando o barco e a maioria pode afundar. Em caso de derrota, as possibilidades são duas: ou Berlusconi anuncia a demissão ou a oposição apresentará uma moção de confiança, que desta vez poderia ser fatal.

A Itália vai enfrentar dentro de alguns dias um novo voto de confiança para a aplicação do plano de austeridade apresentado aos líderes europeus. Depois da Grécia, a Itália é confrontada a uma alta expressiva dos juros pagos nos empréstimos para financiar sua dívida pública. Acuado pela escalada dos juros, Berlusconi foi obrigado a aceitar a tutela da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional na aplicação à risca das medidas de rigor.

A maioria parlamentar de apoio ao governo passou a duvidar da capacidade de Berlusconi para enfrentar a crise e empurra o premiê à demissão. Dos 630 deputados, seria necessário o consenso de 316 para obter a aprovação nesta terça-feira, mas o cenário mudou. Segundo a imprensa italiana, atualmente só 311 deputados apoiariam o governo, número que não é suficiente. Os partidos de oposição anunciaram que vão boicotar a votação. Berlusconi declarou que quer ver a cara dos seus traidores, como um desafio.

Nos seus três anos de governo, Berlusconi recorreu 53 vezes ao voto de confiança. Neste período, ele teve que sair à caça do voto de cada parlamentar que aceitava apoiá-lo em troca de promessas de cargos políticos.

Governo de Berlusconi é rejeitado por 70% dos italianos

Enquanto isso, a economia italiana despenca com a instabilidade política interna. Em 2011, nove mil empresas faliram. A União Europeia exige a imediata aplicação de medidas de austeridade. E os mercados financeiros não perdoam, com o país exposto às apunhaladas da especulação.

As sondagens indicam que o primeiro-ministro conta com a desaprovação de 70% da população. Na Itália, a principal pergunta não é se Berlusconi sair do governo, mas quando e como ele vai deixar o poder.

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