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Artigo

Naufrágio revela drama de menores que migram sozinhos

media Dois jovens que tentavam viajar sozinhos, fotografados em março de 2015 no centro de detenção para migrantes em Garabulli, na Líbia. REUTERS/Goran Tomasevic

No último fim de semana, o mundo tomou conhecimento de um dos naufrágios mais trágicos ocorridos no Mar Mediterrâneo. Um barco que transportava 500 pessoas, entre elas, diversos menores, afundou na costa da Líbia. A guarda costeira italiana conseguiu salvar 150 migrantes, dos quais 5 menores, e recuperar 9 corpos. Cerca de 400 pessoas podem estar desaparecidas e muitas delas seriam crianças, segundo as testemunhas do fato.  

A ONG norte-americana Save the Children é uma das mais envolvidas na acolhida dos sobreviventes. E os primeiros depoimentos ouvidos por Michele Prosperi, porta-voz da ONG entrevistada pela RFI, são horripilantes.

Por trás de um náufrago, salvo, morto ou desaparecido no mar, existe uma história dramática que começou na travessia de seus países de origem, na África, até a Líbia, de onde saem os barcos rumo à etapa final: a costa da Itália. Detidos nas mãos dos passadores, muitos deles agressivos e drogados, os clandestinos sofrem todo o tipo de violências; diversos testemunhos confirmaram que alguns foram queimados vivos diante dos outros viajantes.

Menores sozinhos: um fenômeno cada vez maior

Entre os 150 sobreviventes deste último naufrágio no Mar Mediterrâneo, cinco eram menores vindos da Gâmbia. Eles viajavam sozinhos e estavam com outras crianças que se afogaram quando o barco afundou.

O aumento significativo de crianças e jovens desacompanhados tentando alcançar a Europa vem preocupando a Save the Children: "Desde janeiro deste ano, mais de mil menores sozinhos chegaram na Itália", explica Michele Prosperi, lembrando que eles são os mais vulneráveis e devem ser protegidos. "Estão em estado de choque", ela observa.

A maioria desses menores desacompanhados vem de países da África Subsaariana como Eritreia, Somália, Mali, Costa do Marfim e Gâmbia, além do Senegal, no oeste do continente africano.

Apoio aos menores

Os menores solitários devem ser acolhidos pelas autoridades e receber um acompanhamento específico, mas o governo italiano ainda não tem uma infraestrutura particular para atender às suas necessidades. Na Ilha de Lampedusa, por exemplo, centenas de pessoas estão bloqueadas em centros à espera de serem transferidas.

Michele Prosperi acredita que a União Europeia deve assumir sua responsabilidade diante do desafio, ajudando a melhorar a capacidade de salvamento e acolhida dos migrantes. "Entre eles, muitos têm o direito de receber o estatuto de refugiado", diz a porta-voz da ONG Save the Children.

 

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.