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Hungria vai fechar fronteira com Sérvia para evitar entrada de clandestinos

media Família vinda do Kosovo acampa na fronteira com a Hungria. REUTERS/Laszlo Balogh/Files

A Hungria anunciou nesta quarta-feira (17) o fechamento de sua fronteira com a Sérvia. O governo húngaro vai construir um muro entre os dois países. A medida, criticada pelas autoridades de Belgrado, é mais um sinal da crise da imigração ilegal que toma conta da Europa. Mais de 50 mil refugiados entraram no território húngaro apenas este ano. 

Budapeste lançou os "trabalhos preparatórios" para a construção de um muro de quatro metros de altura e 175 km ao longo de sua fronteira com a Sérvia, informou o ministro húngaro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto. Segundo ele, essa etapa estará concluída já na semana que vem. " Uma resposta comum da União Europeia a este desafio da imigração é muito demorada, e a Hungria não pode esperar. Temos que agir", justificou o ministro.

O número de refugiados que entraram na Hungria passou de 2 mil registrados em 2012 para 54 mil desde janeiro deste ano, colocando o país no topo da lista dos que, proporcionalmente, mais recebem imigrantes. Segundo Budapeste, 95% dessas pessoas entram no território húngaro pela fronteira com a Sérvia, que não é membro da União Europeia. Sírios, iraquianos e afegãos são os que mais entram na Hungria, fugindo dos conflitos em seus países. Mas desde o início deste ano milhares de kosovares começaram a migrar para o território húngaro para escapar da crise econômica.

Sérvia reagiu ao fechamento da fronteira

A notícia suscitou uma reação imediata do primeiro-ministro sérvio, Aleksandar Vucic, que criticou a posição de Budapeste. "Estou surpreso e chocado. Vamos falar dessa decisão com nossos colegas húngaros", declarou o premiê em Oslo, onde se encontra em visita oficial. "A solução não é construir muros. A Sérvia não pode ser responsável pela situação criada pelos migrantes. Somos apenas um país de passagem. Não somos culpados da crise na Síria", completou o chefe do governo.

O premiê sérvio ressaltou que seu país também recebe migrantes em situação ilegal que entram no país para se aproximar das nações do oeste da União Europeia. “Nem por isso vamos erguer muros em nossas fronteiras", disse Vucic, lembrando que alguns desses imigrantes são oriundos de países membros da União Europeia, como a Grécia ou a Bulgária. “Nós fornecemos ajuda, comida, mas essas pessoas não querem ficar na Sérvia. Elas estão de passagem", insistiu o premiê.

Impasse entre países europeus

O anúncio do fechamento das fronteiras húngaras é feito um dia após o fracasso de uma reunião sobre a crise dos migrantes em Luxemburgo. Os 28 membros do bloco foram incapazes de chegar a um acordo sobre um dispositivo destinado a aliviar os países mais expostos à imigração clandestina. Segundo a agência de controle das fronteiras do bloco (Frontex), pelo menos 100 mil pessoas entraram ilegalmente na UE desde o início do ano.

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