Jean-Marie Le Pen, de 82 anos, foi até agora o único líder da Frente Nacional (FN), partido de extrema-direita que ele criou em 1972. O resultado da eleição do novo presidente da sigla, ocorrida na sexta-feira, deveria ser mantido em segredo até domingo, mas a vitória de Marine Le Pen acabou vazando na última noite.
Um integrante da direção do partido disse que a filha de Le Pen conquistou dois terços dos votos. Essa foi a primeira vez desde a criação da FN que os militantes elegem democraticamente o presidente da sigla. Entre 23 e 24 mil aderentes foram convocados para votar.
Marine Le Pen, que é vice-presidente da Frente Nacional, derrotou Bruno Gollnisch, colaborador antigo de Le Pen que se apoiava nas alas mais radicais da extrema-direita francesa. Ela se impôs como líder do partido ao bater recordes de audiência na televisão graças a uma retórica parecida com a do pai.
Em recentes pesquisas de opinião, ela obteve 18% dos votos se o primeiro turno das presidenciais fosse realizado agora. Marine Le Pen espera reeditar a façanha do pai em 2002, quando Jean-Marie Le Pen chegou ao segundo turno das eleições junto com Jacques Chirac.
Para a Associação francesa SOS Racismo a chegada de Marine Le Pen à frente do partido de extrema-direita não muda em nada a natureza política da Frente Nacional que continua “promovendo um discurso racista”.