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França

Morre a ex-primeira-dama e militante Danielle Mitterrand

media A viúva do ex-presidente francês François Mitterrand, Danielle, em foto de 2005. REUTERS/Franck Prevel/Files

Morreu hoje, aos 87 anos, um dos ícones da luta pelos direitos humanos na França, Danielle Mitterrand. A viúva do ex-presidente socialista François Mitterrand, Danielle estava internada desde sexta-feira passada por problemas respiratórios e anemia, no hospital Georges Pompidou, em Paris, e encontrava-se em coma artificial desde domingo. Ela faleceu nesta manhã, 22 de novembro.

Os últimos anos da vida de Danielle Mitterrand foram dedicados à organização France Libertés, uma fundação que ela havia criado há exatos 25 anos consagrada aos direitos humanos e à cidadania. Apesar da baixa estatura e da aparência frágil, era uma batalhadora que se intimidava diante de quase nada - até mesmo quando ela foi com o marido para o Palácio do Eliseu, em 21 de maio de 1981, ela não se calou sobre as injustiças. O posto de primeira-dama da França, aliás, não lhe agradava.

Danielle fez questão de manter distância do papel de “mulher de”. Desde 1944 ao lado do célebre socialista, ela sempre deixou claro que “ele é ele, eu sou eu”, uma independência de espírito cuja aprovação não era consenso no entourage do presidente. Àqueles que tentavam fazê-la se comportar de outra forma, ela respondia: “eu não sou uma perua”.

Nascida em 1924, a jovem Danielle Gouze se engaja aos 17 anos junto à Resistência francesa, os militantes que lutaram contra a ocupação nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Ela atuava como agente de logística, ao mesmo tempo em que seus pais abrigavam, em casa e em segredo, alvos da caçada nazista.

Em meio a este turbulento momento da história francesa, sua irmã mais nova, Christine, apresenta-lhe a François Morland, o pseudônimo de François Mitterrand durante os anos de ocupação. Não mais do que alguns meses mais tarde, os dois se casam e terão três filhos: Pascal – que nasceu e morreu em 1945 -, Jean-Christophe, em 1946, e Gilbert, em 1949.

Os anos em busca da conquista do poder na França serão longos e recheados de inconvenientes – como a existência de uma amante que se tornou pública e com quem ele Mitterrand teve uma filha -, mas Danielle permanecerá ao lado do marido até os seus últimos suspiros.

"Sempre fui uma mulher livre"
Entrevista Danielle Mitterrand 22/11/2011 ouvir

Viúva desde 1996, Danielle também era conhecida por sua amizade assumida com o líder cubano Fidel Castro. Em 1986, ela criou a fundação France Libertés, que lhe serviu como plataforma para sua ação pró-direitos humanos e como tribuna pública. A entidade tem como objetivo "estabelecer uma rede mundial que busque organizar uma alternativa à globalização do comércio e das finanças por uma sociedade que dê todas suas oportunidades à vida".

Ela esteve muitas vezes no Brasil, onde procurava se engajar nas questões ambientais e de justiça social. Apenas no ano passado, ela veio duas vezes ao país. Na última, criou uma parceria entre sua fundação e a Hidrelétrica Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná. Na ocasião, no Bosque dos Visitantes, ela plantou uma árvore jabuticabeira.
 

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