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José Vieira, o cineasta do “país onde nunca se regressa”

José Vieira, o cineasta do “país onde nunca se regressa”
 
Filme de José Vieira - "O Pão que o Diabo Amassou" (2012) kintopfilms.com

Em Portugal, o Lisbon & Sintra Festival 2017 realiza, esta semana, uma retrospectiva do cineasta português José Vieira. Autor pioneiro de uma filmografia sobre a emigração portuguesa para França, José Vieira defende que “nunca se regressa ao país que se deixou. O lugar a que se volta é sempre um outro”.

Muitas vezes a emigração destrói os sonhos daqueles que leva com ela. Os que partem imaginam sempre que vão regressar. Mas nunca se regressa ao país que se deixou. O lugar a que se volta é sempre um outro”. As palavras são de José Vieira, o cineasta que tem dedicado a sua filmografia à história da emigração portuguesa para França e à história de um Portugal que está a desaparecer nas ruínas de memórias familiares.

José Vieira foi parar a França em 1965, tinha sete anos, e a viagem forçada paira em todos os seus filmes. Chegou ao bairro de lata de Massy, nos arredores de Paris, em 1965, e aí ficou cinco anos. Uma vivência cunhada na pele e na memória…

"É a minha vida, foi a minha vida, simplesmente por isso, simplesmente mostrar por onde a gente passou. Quer dizer, é a minha vida e a de milhares de pessoas. Acho que disse no [documentário] 'Fotografia Rasgada' que 'é procurando as nossas histórias na memória dos outros que se constrói uma memória colectiva'”, afirmou.

José Vieira foi pioneiro no retrato filmado dos que fugiram "a salto", com “passaporte de coelho”, a pé ou escondidos em camiões como se de gado se tratasse. Rompeu silêncios sobre a história dos que foram parar aos "bairros de lata". Uma história que muitos quiseram enterrar mas que o realizador tirou da lama.

Licenciado em Sociologia, José Vieira aprendeu a filmar no terreno. O primeiro filme, "Weekend en Tosmanie" (1985), falava sobre a comunidade portuguesa em França e "foi muito mal recebido” pelos emigrantes. Mas os testemunhos recolhidos para o documentário "A Fotografia Rasgada", de 2005, quebraram o tabu e muitos começaram a falar sobre como fugiram para França.

"O ponto de partida para mim foi ter passado por uma história tão complicada, tão dolorosa, podemos dizer assim, e não haver nada sobre isso. E não era só o facto de não haver nada, era como se a gente não tivesse história nenhuma, como se os portugueses tivessem chegado de avião, como se uma cegonha os tivesse trazido para cá", continuou.

“Os Emigrantes”, “O País Aonde Nunca se Regressa”, “O Pão que o Diabo Amassou”, “Aquele Estranho Mês de Maio”, “Crónica dos Anos de Lama” e “A Ilha dos Ausentes” são alguns dos filmes que retratam histórias de exílios, regressos e ausências.

Meio século depois, a história repete-se e as imagens são quase as mesmas. Só mudam os rostos, em plano apertado… Nos filmes “Le Bateau en Carton”, de 2010, e "Souvenirs d'un Futur Radieux", de 2014, José Vieira foi ao mesmo local onde viveu num bairro de lata, em 1965, e filmou imigrantes romenos. No documentário, ouve-se um português a contar como construiu a sua barraca na década de 1960 e as imagens mostram romenos a fazer o mesmo nos anos 2000.

"Aquelas cantigas nostálgicas que as pessoas trouxeram da aldeia a passar em 'boucle' [em 'loop'], as crianças a brincar com as mesmas coisas, o cheiro da lama misturado com aquela porcaria que as pessoas deitam de dentro de casa para fora. O mesmo cheiro, exactamente o mesmo”, recordou.

Portugal é o país da infância de José Vieira e está a desaparecer. Pelo menos, o Portugal que conheceu quando menino. Em “O pão que o diabo amassou”, de 2012, José Vieira filmou a aldeia de Adsamo, na Beira Alta, um local desertificado onde a terra ganhou rugas e poucos são os que ganharam raízes e muitos os que partiram.

"É a infância. Portugal é a minha infância. A partir de 2010 comecei a querer trabalhar mais em Portugal, a falar daquelas terras de onde vem a imigração [para França]. O que é que ainda existe do Portugal que a gente deixou? Esse Portugal está a desaparecer", concluiu.


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