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Poder em França desorientado frente à revolta

Poder em França desorientado frente à revolta
 
Primeiras páginas dos jornais franceses de 07 de dezembro de 2018 RFI

As primeiras páginas dos jornais franceses continuam dominadas pela paralização do país por causa do braço de ferro entre o poder e o movimento dos coletes amarelos.

Indignação e fractura em França é o título do vespertino LE MONDE. Um novo dia de mobilização dos coletes amarelos está previsto para amanhã em Paris e em toda a França. O governo que teme um recrudescimento da violência disponibiliza meios consequentes. No seu editorial intitulado quebrar a inércia do ódio, LE MONDE, sublinha que a Quinta República entrou no dia 1 de dezembro num dos períodos mais caóticos da sua história.

Os acontecimentos de sábado 8 de dezembro em Paris dirão se é igualmente o período mais perigoso. Aparentemente, o Palácio do Eliseu e o governo escolheram dramatizar os riscos de explosão da revolta em curso na esperança de atenuar a virulência e suas consequências políticas, acrescenta, LE MONDE.

Pânico no topo do poder, replica, em título, L'HUMANITÉ. Face aos coletes amarelos, o governo sob pressão entra em contradição e atiça o medo. Um chefe de Estado isolado e uma maioria desorientada, sem falar em gafes repetitivas, dramatização, governo dividido... o executivo continua a lançar óleo para a fogueira.

Por sua vez, LIBÉRATION, titula, violência, a engrenagem. A uma dada altura temos que nos defendermos, diz um colete amarelo. Os coletes amarelos não apoiam os vândalos que partem a loiça, mas não estão surpreendidos, com a escalada de violência física e verbal. 

Coletes amarelos: inquérito sobre uma deriva violenta, relança, LE FIGARO. Os radicais de todas as esferas procuram tirar proveito da desordem provocada pelo movimento. O IV Acto do movimento dos coletes amarelos corre o risco de ser interpretado na violência. Doravante as piores predicções são feitas para o que se passará amanhã em França, acrescenta, LE FIGARO.

Mudando de assunto, LA CROIX, titula, sobre a memória dos mártires de Argélia. A beatificação amanhã em Orã, de 19 religiosos católicos assassinados durante o decénio negro ecoará longe de Argélia. 

São religiosas e religiosos católicos assassinados como milhares de argelinos nos anos 90 do século passado. Continua a ser tarefa impossível, em nome da concórdia civil e da reconciliação, evocar a memória dos milhares de mortos e desparecidos, cerca de 150 mil a 200 mil, nesses anos de chumbo. A beatificação de amanhã abre uma brecha e o apoio dado pelas autoridades argelinas é um sinal forte enviado à sociedade argelina e não só, nota LA CROIX.

Por seu lado, LE MONDE, dá relevo, ao Líbano, exílio impossível dos sírios e palestinianos. Nos campos de refugiados, a ausência de perspectivas empurra certas famílias a tentar chegar à Europa, apesar de múltiplos obstáculos.

Médicos sem fronteiras e SOS Mediterâneo põem um termo às missões de resgate de Aquárius, constam igualmente das páginas do mesmo vespertino, que nota que o barco criticado pelo governo italiano socorreu em 2 anos 30 mil pessoas. Aquárius tornou-se um símbolo da crise política à volta do acolhimento de imigrantes.

Enfim, LE FIGARO, dá destaque à CDU em plena dúvida sobre o pós-Merkel. A chanceler alemã abandona depois de 18 anos a presidência do partido cristão-democrata. A CDU precisa debater a sua identidade, afirma um dos congressistas em Hamburgo, porque Angela Merkel, que governou no centro deu o sentimento de ter perdido a bússola da CDU.


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