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Expectativas goradas da COP24 de Polónia

Expectativas goradas da COP24 de Polónia
 
Primeiras páginas dos jornais franceses de 17 de dezembro de 2018 RFI

As primeiras páginas dos jornais franceses apresentam-se divididas entre temas nacionais e internacionais que vão dos coletes amarelos até ao aquecimento global.

LE MONDE, titula, Clima: expectativas goradas da COP24. A vigésima quarta conferência mundial sobre o clima, terminou no sábado, em Katowice, na Polónia, adoptando um acordo laborioso. Os 196 países chegaram a acordo sobre as regras de aplicação do acordo de Paris, concluído em 2015, com vista à sua implementação em 2020.

A comunidade internacional falhou em contrapartida no avanço sobre uma alta dos esforços colectivos na luta contra a mudança climática, acrescenta LE MONDE.

Por seu lado, LA CROIX, titula, Viktor Orban à reconquista da escola. O primeiro-ministro húngaro, que quer protagonizar uma contra-revolução cultural no seu país e na Europa, favorece confissões religiosas. O governo rompe com a neutralidade religiosa e ao mesmo tempo é criticado por apostar numa recristianização do país.

Viktor Orban defende uma revolução conservadora que comece logo na pré-primária, com base num programa que desperte a consciência nacional, os valores culturais cristãos, o apelo à pátria e à família. Para seduzir a juventude, o seu filho, Gaspar Orban, fundou a sua própria igreja, Casa, que inclui no seu programa rock cristão, glorificação e curas, acrescenta, LA CROIX.

Ainda no internacional, LE MONDE, dá relevo, ao último feudo urbano do estado islâmico na Síria, reconquistado pelas forças curdas. A organização jiadista foi derrotada em Hajin pelos curdos ajudados pela coligação internacional.

Segundo os estados-maiores, os jiadistas islâmicos deverão passar de um estatuto de beligerantes visíveis à clandestinidade. 

Também nas páginas do mesmo vespertino, Qatar, que tira proveito do enfraquecimento de Riade para efectuar o seu regresso diplomático. O Forum de Doha, plataforma anual de debates sobre os males do mundo contemporâneo de 15 e 16 de dezembro consistia em tirar o país do isolamento a que foi relegado pelo embargo do campo pró-saudita.

A ambição era celebrar a resistência do Qatar ao bloqueio da Arábia saudita, dos Emirados árabes unidos e do Barein, que, em junho de 2017, irritados  pela actividade diplomática do seu vizinho, que não partilha a sua aversão pelo Irão e movimentos islamitas, como a Irmandade muçulmana, decretaram um embargo comercial contra Doha, acrescenta, LE MONDE.

Mudando de assunto, por cá em França, LIBÉRATION, titula, o primeiro dia do resto do mandato de Macron. 18 meses após a sua eleição, Macron sai com algumas mossas da contestação social dos coletes amarelos que dilapidou uma grande parte do seu capital político.  

Para o politólogo Aurélien Preud'homme, o presidente Macron terá grandes dificuldades em fazer as suas reformas com uma tal impopularidade e interroga-se na entrevista ao LIBÉRATION: não estamos a caminhar para uma rejeição maior da opinião com picos de crispação importantes como o poder de compra, uma situação económica sofrível e um agravamento dos impostos na fonte que terão consequências psicológicas importantes?

Determinação intacta, replica em título L'HUMANITÉ. O movimento enraíza-se apesar das manobras do poder para o descredibilizar e duma baixa de participação. O presidente voltou a perder mais 2 pontos desde o seu discurso na televisão e hoje a sua cota de popularidade situa-se nos 23% de opiniões favoráveis, enquanto dois terços dos franceses continuam a apoiar o movimento.

Especulando sobre o esgotamento núcleo duro dos coletes amarelos e as festas de fim de ano, o executivo aposta igualmente na grande consulta nacional de 15 de dezembro a um de março. Só que a consulta não arrancou porque nenhum projecto foi apresentado. Na verdade nada está decidido em torno desta iniciativa improvisada pelo governo para fingir que respondia a aspirações democráticas, acrescenta, L'HUMANITÉ.

Coletes amarelos: a crise passa, ficam os problemas, titula, LE FIGARO. A diminuição do número de manifestantes no sábado em Paris e nas cidades provinciais marca o cansaço do movimento. Mas continuam em suspenso várias questões. Apesar dos anúncios de Macron as dificuldades económicas permanecem. Para François Bayrou, líder centrista, se a participação é menor, os problemas não foram no entanto resolvidos. O governo confronta-se igualmente com a equação orçamental complexa de integrar in extremis o plano de Macron.

Medidas que se elevam a 10 mil milhões de euros e que devem ser compensadas num equilíbrio financeiro já difícil, acrescenta, LE FIGARO.

Enfim, sobre o continente africano, LA CROIX, destaca, Tunísia, a verdade que tarda a chegar sobre os decénios de ditadura. Nenhum representante oficial estava presente na conferência da instância da verdade e dignidade que terminou ontem em Tunes. Em 4 anos a conferência registou 50 mil testemunhos que permitiram documentar a ferocidade das ditaduras desde 1955: assassínios, torturas, violações, desaparecimentos forçados infligidos a 20 mil pessoas, acrescenta, LA CROIX.


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