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França

França: vítima de terroristas de 2015 testemunha

media Irmãos Kouachi (Chérif e Saïd, da esquerda para a direita), autores dos atentados de Janeiro de 2015. securité.interieur.gouv.fr

A França assinalou nesta semana 4 anos após os atentados de Janeiro de 2015. Ivo Magalhães trabalhava na bomba de gasolina assaltada pelos  autores do massacre no semanário Charlie Hebdo. De origem portuguesa ele relata o ocorrido e as sequelas num livro acabado de publicar.

A 8 de Janeiro de 2015 os irmãos Kouachi, islamitas radicais, assaltaram a bomba da gasolina Avia onde trabalhava Ivo Magalhães no norte de França.

Ivo, de apenas 35 anos, continua a trabalhar na mesma bomba de Villers-Cotterêts, no distrito de Aisne.

Os autores do massacre no semanário satírico parisiense Charlie Hebdo estavam a monte e a polícia prosseguia as buscas no seu encalce.

Durante quatro minutos eles vieram abastecer-se em comida na bomba de gasolina onde trabalhava o rapaz de origem portuguesa.

Os irmãos Kouachi prometeram que nada lhe ia acontecer, mas o momento ia marcá-lo profundamente.

As sequelas psicológicas do ocorrido são relatadas no livro "Moi, Ivo, victime de guerre" (Eu, Ivo, vítima de guera), que acaba de ser publicado na editora Fauves.

Ivo Magalhães beneficiou de um acompanhamento psicológico, mas o traumatismo mantém-se vivo, sobretudo nesta altura em que os holofotes da França voltaram a estar direccionados para a lembrança do ocorrido.

Este livro para ele foi "uma espécie de terapia, de confissão", para continuar a reconstruir-se após o trauma.

Ele alega não ter tido dificuldades particulares em voltar ao local do ocorrido, mas o facto de "ter enfrentado a morte" foi, para ele, o mais difícil.

Os irmãos Kouachi chegaram com armamento pesado (tipo "kalachnikov", bazuca), com o rosto descoberto, pelo que Magalhães os identificou imediatamente, por as autoridades terem divulgado a respectiva identidade.

O jovem diz sentir-se melhor, mas admite que nunca voltará a ser como dantes, que se continua a reconstruir, pelo que os terroristas lhe teriam deixado uma ferida no seu íntimo.

Ivo denuncia o facto de ter ficado muito isolado, sem apoio das autoridades, não obstante o seu "estado físico deplorável". Nem apoio médico imediato lhe teria sido concedido pelo Estado.

Ele admitiu que na altura chegou a andar a 170 kms/hora na estrada, de tão perturbado que ficara, com o sono alterado, a falar mal às pessoas na sequência do traumatismo que vivera.

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