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Artigo

Entre lamentos e festejos, saída de Berlusconi é a manchete dos jornais franceses

media Silvio Berlusconi pourrait perdre son poste de sénateur et sa capacité à peser sur la vie publique italienne. REUTERS/Tony Gentile

As manchetes da imprensa francesa desta quinta-feira são dominadas pela saída do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, em meio à grave crise econômica em que o país se encontra. Enquanto os jornais ligados à esquerda festejam a partida de "il Cavalieri", como é conhecido o premiê, a imprensa conservadora lamenta o fim de um governo que trouxe "estabilidade política" ao país.

Cobertura bastante semelhante entre o Libération e o Humanité, a começar pela capa de hoje: ambos estampam exatamente a mesma foto, na qual Berlusconi aparece de costas, simbolizando a partida do primeiro-ministro. Coincidência também nas manchetes: o Libé anuncia apenas a palavra "Ciao!", enquanto o Humanité comemora com "Basta!", em letras garrafais.

Os dois diários focam suas reportagens nos escândalos em que o premiê demissionário se envolveu ao longo de 16 anos de passagens pela presidência do Conselho italiano. Os jornais também destacam que, ao contrário das revoluções árabes e dos protestos na Grécia e na Espanha, que resultaram em mudanças nas mais altas alçadas do poder pela força das ruas, na Itália foram os mercados financeiros e outras lideranças europeias que determinaram a saída de Berlusconi, marcando "o fim de uma era" no país.

"Em Roma, os italianos se veem enfim livres de um megalomaníaco sem escrúpulos, cujas patéticas facetas arruinavam a cada dia mais a sua credibilidade", diz o editorial do Libération.

Outra abordagem bastante distinta traz o Le Figaro desta manhã. Sob a manchete "Estado de alerta na Itália", o jornal informa que as taxas sobre os empréstimos do país atingem índices "exorbitantes", apesar do anúncio do primeiro-ministro de que deixará o cargo. No editorial, o jornal diz que "o melhor para salvar a zona do euro é que Berlusconi parta", mas lamenta que "esta constatação é bastante triste, pois se trata de um homem que trouxe à Itália uma estabilidade política que ela agora corre o risco de perder".
 

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