O processo eleitoral para a transição democrática no Egito será longo. Uma terceira fase das eleições legislativas está programada para o ano que vem, antes das eleições presidenciais. A primeira fase das eleições foi marcada por uma ampla vitória dos partidos islâmicos que juntos, contabilizaram mais de 65% dos votos e chegam com força para essa nova etapa.
O Egito é governado, atualmente, por uma junta militar que nomeou recentemente o primeiro-ministro, Kamal Al Ganzouri, para chefiar o governo transitório. Mas ele continua a enfrentar protestos dos jovens, insatisfeitos com as lentas mudanças em curso no país desde a queda do ditador Hosni Mubarak.
Segurança reforçada
Para evitar conflitos e confusão como na primeira fase das eleições, o chefe do conselho militar, Hussein Tantawi, declarou que as medidas de segurança aumentarão durante a votação nessa semana. O futuro Parlamento egípcio deverá formar uma comissão engarregada de redigir uma Constituição para o país.
A Irmandade Muçulmana ganhou a primeira fase com 36% dos votos, seguidos pelo partido salafista com 24%. As duas correntes islâmicas, porém, não são aliadas e disoutam o eleitorado. Já os grupos laicos e liberais assim como os movimentos jovens que ajudaram a derrubar Moubarak não conseguiram se organizar politicamente de forma sólida.
Na semana passada, um comitê de 30 pessoas foi formado pelo conselho das forcas armadas, composto por intelectuias, escritores, artistas e figuras liberais para realizarem consultas com os militares e resolver os problemas atuais do país. O conselho militar convidou a Irmandade Muçulmana a participar do comitê, mas ela rejeitou. Conforme declarações realizadas pela Irmandade Muçulmana, ela pretende elaborar a Constituição sozinha sem interferência de outros partidos e do conselho militar.
Colaborou Ayman Abdel , correspondente da RFI no Cairo.