Os banqueiros, que se sentiram os mais visados pelos ataques violentos do maior rival de Sarkozy na corrida presidencial, reagiram discretamente por não conhecer os detalhes do projeto socialista, escreve o diário econômico. Eles lembram que várias reformas já foram feitas no setor desde a crise de 2008 como o reforço de seus fundos próprios e do sistema de remuneração dos bônus aos operadores de mercado, contrariando o que disse François Hollande. Dirigentes banqueiros ouvidos pelo jornal afirmaram que a proposta de separar bancos de investimento dos bancos para operações de crédito pode custar caro não apenas para o setor mas também para os clientes.
O Libération analisa as seis principais medidas anunciadas pelo candidato socialista para combater seu inimigo declarado: o mundo das finanças. Entre elas, a proibição de oferecer os chamados "produtos tóxicos bancários" e a criação de uma agência europeia de classificação de riscos. Para o Libé, apesar do mérito de imprimir uma vontade política, o ataque de François Hollande ao setor que financia a riqueza e promove o crescimento pode ser perigoso e comprometer sua credibilidade caso ele não demonstre de maneira convincente com que meios e com quais aliados vai travar sua batalha.
Após analisar o discurso do socialista do último domingo, o conservador Le Figaro acredita que Hollande procura um ponto de equilíbrio para frear a ascenção de candidatos de outras correntes políticas. O ataque ao mundo das finanças contenta sua base de esquerda, mas a defesa do rigor nos gastos do governo e o respeito ao orçamento é uma mensagem para o eleitorado de direita, afirma o jornal. O Le Figaro insiste que o próximo grande desafio de Hollande é provar que é um candidato com credibilidade.