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Artigo

Rival de Sarkozy arrisca credibilidade ao atacar mundo das finanças

media François Hollande, candidato socialista ao Eliseu, em evento de seu partido nesta segunda-feira, em Bourget. REUTERS/Fred Dufour/Pool

As repercussões dos ataques do candidato socialista François Hollande ao setor financeiro durante seu primeiro grande comício de campanha ganharam destaque nos principais jornais que circulam nesta terça-feira na França. O econômico Les Echos afirma que os banqueiros franceses ficaram surpresos com o tom agressivo da declaração de Hollande de que o mundo das finanças é o seu principal adversário.

Os banqueiros, que se sentiram os mais visados pelos ataques violentos do maior rival de Sarkozy na corrida presidencial, reagiram discretamente por não conhecer os detalhes do projeto socialista, escreve o diário econômico. Eles lembram que várias reformas já foram feitas no setor desde a crise de 2008 como o reforço de seus fundos próprios e do sistema de remuneração dos bônus aos operadores de mercado, contrariando o que disse François Hollande. Dirigentes banqueiros ouvidos pelo jornal afirmaram que a proposta de separar bancos de investimento dos bancos para operações de crédito pode custar caro não apenas para o setor mas também para os clientes.

O Libération analisa as seis principais medidas anunciadas pelo candidato socialista para combater seu inimigo declarado: o mundo das finanças. Entre elas, a proibição de oferecer os chamados "produtos tóxicos bancários" e a criação de uma agência europeia de classificação de riscos. Para o Libé, apesar do mérito de imprimir uma vontade política, o ataque de François Hollande ao setor que financia a riqueza e promove o crescimento pode ser perigoso e comprometer sua credibilidade caso ele não demonstre de maneira convincente com que meios e com quais aliados vai travar sua batalha.

Após analisar o discurso do socialista do último domingo, o conservador Le Figaro acredita que Hollande procura um ponto de equilíbrio para frear a ascenção de candidatos de outras correntes políticas. O ataque ao mundo das finanças contenta sua base de esquerda, mas a defesa do rigor nos gastos do governo e o respeito ao orçamento é uma mensagem para o eleitorado de direita, afirma o jornal. O Le Figaro insiste que o próximo grande desafio de Hollande é provar que é um candidato com credibilidade.
 

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