Mauro Tagliaferri, colaborador da RFI em Lisboa
O governo já admitiu que será impossível cumprir a meta de limitar o endividamento público em 4,5% por cento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano basicamente porque entrou menos dinheiro no cofre do que se previa.
Em uma uma economia em recessão, os portugueses estão pagando menos impostos. Nos primeiros sete meses do ano, a arrecadação foi 2 bilhões e 700 milhões de euros menor que a do mesmo período do ano passado. Neste cenário, os credores podem exigir novas medidas de austeridade.
Mas como Portugal tem se comportado bem, existe um acordo entre as forças políticas, e como esse escorregão nas contas públicas deve ser inferior a um ponto percentual em relação à meta, é possível que a troika feche os olhos e libere a parcela de 4 bilhões e 300 milhões de euros do auxílio financeiro.
Em relação ao orçamento para 2013, o objetivo de reduzir o déficit a 3% do PIB terá de ser renegociado para um patamar mais realista. O governo e credores também tentarão achar alternativas aos cortes do salário de férias e do 13° dos funcionários públicos e pensionistas, medida considerada inconstitucional pela mais alta corte do país.
Já o objetivo de voltar a se financiar a longo prazo nos mercados no ano que vem parece ainda um sonho distante.