Em entrevista publicada pelo jornal La Repubblica, Bersani se diz pronto para liderar um governo minoritário, mais do que para se aliar com um homem que não tem “nenhum senso de responsabilidade e só pensa em seu próprio interesse”, se referindo a Berlusconi.
A decisão impossibilita uma das duas opções possíveis para a formação de um governo na Itália após a eleição que terminou sem uma maioria absoluta, já que Beppe Grillo, dirigente do Movimento 5 Estrelas, que conseguiu um número importante de votos, excluiu toda possibilidade de alianças com os dois campos.
A coalizão de centro-esquerda é majoritária na Câmara dos deputados, mas não no Senado. Uma aliança com a coalizão de centro-direita, que apoia, como a centro-esquerda, o governo de Mario Monti, era a opção que apresentava mais garantias.
Sem maioria nas duas casas, o governo não poderá aprovar leis ou obter um voto de confiança, o que pode paralisar a Itália e relançar a crise da dívida na zona do euro. Mesmo assim, Bersani tem a intenção de apresentar um programa de governo a Giorgio Napolitano quando o chefe de Estado começar suas consultas para a formação de um governo. “Chamem como quiserem, um governo minoritário, um governo de missão. Para mim tanto faz. Para mim, é o governo da mudança”, disse ao jornal La Reppublica.
Bersani também falou ao jornal italiano sobre sua intenção de abrandar as medidas de austeridade impostas por Mario Monti. Ele disse ter falado sobre isso com o presidente francês François Hollande.