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Artigo

Sarkozy compara grampo à espionagem na Alemanha Oriental

media O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy em 10/03/2014 . REUTERS/Eric Gaillard

A política francesa domina as manchetes dos jornais franceses nesta sexta-feira (21). De um lado, a expectativa em relação ao primeiro turno das eleições municipais no próximo domingo. Do outro,  a carta ao povo francês que o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy publicou na edição de hoje do jornal Le Figaro. No texto, o ex-presidente francês ataca os grampos telefônicos usados pela Justiça francesa.

Na sua primeira declaração pública sobre assuntos políticos desde que perdeu a eleição presidencial em 2012 para o socialista François Hollande, Sarkozy escreveu um longo texto para se defender das acusações de tráfico de influência. Num dos trechos colocados em destaque pelo jornal, ele escreve: "Nunca me considerei acima da lei, mas não posso aceitar ficar abaixo da lei".

Nas últimas semanas, o vazamento de escutas telefônicas feitas pela Justiça francesa sugerem que o ex-presidente participava ativamente de tráfico de influência quando estava no poder. Ele também rebate as acusações de que teria recebido financiamento ilegal par a sua campanha do ex-ditador líbio Muammar Kadafi Sarkozy argumenta com desdém que toda a acusação se baseia em testemunhos nada "confiáveis" de um dos filhos de Kadafi.

Stasi

Em alguns momentos da carta, Sarkozy adota um tom violento sobretudo para comentar sobre as escutas telefônicas: "Não se trata de atos cometidos por um ditador contra seus opositores. Trata-se da França!” O ex-presidente compara ainda os métodos da Justiça francesa aos métodos da Stasi, a polícia secreta da Alemanha Oriental.

Essa comparação feita por Sarkozy é, aliás, o destaque na capa do Libération de hoje. Mas o jornal de esquerda procura desmontar -parágrafo por parágrafo- a defesa do ex-presidente francês. Para o jornal, a carta de Sarkozy é uma "bazuca" que atira para todos os lados: contra os juízes, a imprensa e o governo socialista.

Mas o Libération vai além ao rebater o texto de Sarkozy e o acusa de não dizer a verdade nessa carta. "A exemplo de seus antecessores, François Mitterand e Jacques Chirac que nunca hesitaram em usar belas palavras e grandes mentiras quando sua sobrevivência política estava em jogo, Nicolas Sarkozy quer usar os franceses de testemunha", escreve o Libération.

Na avaliação do jornal, as palavras fortes na carta e a violência dos ataques contra um "suposto complô" contra ele, são apenas uma maneira de preparar o terreno para o retorno de Sarkozy na eleição presidencial em 2017. Essa volta, porém, é negada por Sarkozy na sua carta. "Hoje, não tenho nenhum desejo de me envolver na vida política de nosso país", afirma o ex-presidente.

 Eleições
Para o jornal La Croix, as eleições municipais deste domingo serão o grande teste tanto para o Partido Socialista quanto para o partido de extrema-direita Frente Nacional. Para os socialistas, avalia o diário católico, o desafio será o de ficar no poder nas grandes cidades como Paris e Marselha.

Já para a Frente Nacional, o objetivo é o de se mostrar como uma alternativa para os eleitores cansados dos socialistas e da direita tradicional representada pelo partido UMP. Analistas ouvidos pelo jornal dizem que a Frente Nacional tem, realmente, a possibilidade de incomodar os grandes partidos nesse domingo. "Nunca a Frente Nacional teve tantas listas de candidatos", resume o professor de ciências políticas Pascal Perrineau.

 

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.