Ouvir Carregar Podcast
  • 16h00 - 16h06 TMG
    Noticiário 23/04 16h00 GMT
  • 16h00 - 16h10 TMG
    Noticiário 21/04 16h00 GMT
  • 16h06 - 16h30 TMG
    Segunda parte da emissão 23/04 16h06 GMT
  • 16h10 - 16h30 TMG
    Segunda parte da emissão 21/04 16h10 GMT
  • 17h00 - 17h06 TMG
    Noticiário 23/04 17h00 GMT
  • 17h00 - 17h10 TMG
    Noticiário 21/04 17h00 GMT
  • 17h06 - 17h30 TMG
    Segunda parte da emissão 23/04 17h06 GMT
  • 17h10 - 17h30 TMG
    Segunda parte da emissão 21/04 17h10 GMT
  • 18h00 - 18h06 TMG
    Noticiário 23/04 18h00 GMT
  • 18h00 - 18h10 TMG
    Noticiário 21/04 18h00 GMT
  • 18h06 - 18h30 TMG
    Segunda parte da emissão 23/04 18h06 GMT
  • 18h10 - 18h30 TMG
    Segunda parte da emissão 21/04 18h10 GMT
  • 19h00 - 19h06 TMG
    Noticiário 23/04 19h00 GMT
  • 19h00 - 19h10 TMG
    Noticiário 21/04 19h00 GMT
  • 19h06 - 19h30 TMG
    Segunda parte da emissão 23/04 19h06 GMT
  • 19h10 - 19h30 TMG
    Segunda parte da emissão 21/04 19h10 GMT
Para aproveitar em pleno os conteúdos mutimedia, deve ter o plugin Flash instalado no seu navegador. Para estabelecer a ligação deve activar os cookies nos parâmetros do seu navegador. Para poder navegar de forma ideal o site da RFI é compatível com os seguintes navegadores: Internet Explorer 8 e +, Firefox 10 e +, Safari 3 e +, Chrome 17 e + etc.

França reconhece distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade

França reconhece distúrbio de déficit de atenção e hiperatividade
 
Os principais sintomas do TDAH são a impulsividade, a falta de concentração e a hiperatividade. facebook.com/pages/TDAH

Depois de dois anos de intensos debates, a Alta Autoridade de Saúde na França (HAS, na sigla em francês) reconheceu oficialmente, o Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, popularmente chamado de TDAH. A decisão, anunciada em fevereiro, veio acompanhada de uma série de recomendações para os médicos, familiares e profissionais de saúde enfrentarem um problema que atinge entre 3 e 5% da crianças em idade escolar na França.

O documento estabelece critérios para o diagnóstico e traz orientações para a abordagem e o tratamento de um distúrbio muito controverso. Para muitos psicanalistas, o déficit de atenção é reflexo de um problema psíquico interno da criança, que precisa ser resolvido com terapias, sem medicamentos.

Na outra ponta, estão os especialistas que enxergam o problema como originário de uma disfunção neurológica no cérebro, com causas ainda desconhecidas. E, em muitos casos, quando o problema gera um verdadeiro tormento para as crianças, pais e professores, sugerem o tratamento com medicamentos.

Para a Alta Autoridade de Saúde da França, uma instituição independente que colabora para as políticas do sistema de saúde do país, o déficit de atenção, com ou sem hiperatividade, é uma síndrome que associa três sintomas, que variam de intensidade.

São eles: o déficit de atenção, que normalmente é identificada como a dificuldade da criança em se concentrar por um tempo longo e não conseguir finalizar as tarefas, a hiperatividade motora, ou seja, uma agitação crônica e a dificuldade em parar quieto, e a impulsividade, caracterizada pela dificuldade em esperar e sempre querer atrapalhar os outros.

“Não se trata de uma doença. É uma dificuldade da maturação do cérebro que vai levar determinadas crianças a ter dificuldades de concentração, dificuldade para fazer alguma coisa até o final, dificuldades de leitura ou para escrever, entre outras coisas”, explica Jean Chambry, psiquiatra infantil e membro do grupo de trabalho da Alta Autoridade de Saúde. 

“O dia a dia fica conturbado devido a essas dificuldades. E pode ficar ainda mais complicado por uma hiperatividade, ou seja, um distúrbio do comportamento, uma agitação e uma impulsividade”, acrescenta o especialista.

Dificuldade de diagnóstico

Nem sempre é fácil distinguir as crianças que realmente tem problemas de TDAH, das que são simplesmente agitadas e desconcentradas, em determinado momento da infância.

Melly, de 16 anos, foi diagnosticada com TDAH ainda na infância, aos seis anos, depois de apresentar sintomas típicos do distúrbio. “Eu tinha dificuldades de me concentrar, tirava notas baixas e não entendia porque sempre levava bronca. Não sabia o que fazer. Eu não conseguia dormir, sempre ficava mexendo minhas pernas. Eu me sentia diferente dos outros”, contou em entrevista à Rádio França Internacional.

Seu pai, Yannick, não sabia o que fazer e demorou muito a perceber o problema da filha. “Melly era como um canguru, que pulava o tempo inteiro. Para mim, ela era uma criança cheia de vida e curiosa, apesar de que não conseguia ficar muito tempo concentrada em uma mesma atividade. Mas na escola, os professores sempre reclamaram que ela não ouvia as ordens, que não conseguia ficar parada”, explicou.

A família foi orientada a consultar um especialista que diagnosticou o distúrbio. “Fizemos um grande trabalho em casa porque aos 6, 7 anos, diziam que ela era nula, nunca iria conseguir nada. A gente teve que mostra que ela conseguia fazer as coisas, que era capaz e que tínhamos orgulho dela”, disse o pai de Melly.

A recomendação da Alta Autoridade de Saúde é clara ao insistir na abordagem não medicamentosa do distúrbio. O primordial é investir em diferentes medidas educativas, psicológicas e sociais para enfrentar e tentar solucionar o problema. Entre as técnicas sugeridas pela instituição está a Terapia Cognitiva Comportamental, conhecida pela sigla TCC, que ajuda a criança a melhorar sua atenção.

Outros fatores importantes são dar suporte aos familiares para ajudar os pacientes a melhorar seu comportamento, adotar técnicas de reeducação para reforçar as competências cognitivas da criança e trabalhar terapias que permitam a afirmação do indivíduo diante de um grupo.

A HAS recomenda a entrada em ação de medicamentos apenas quando as terapias comportamentais não forem suficientes para resolver ou melhorar o déficit de atenção. O remédio é à base de metilfenidato, um estimulante para o distúrbio, conhecido também por um de seus nomes comerciais, Ritalina. Mas essa terapia medicamentosa, deve entrar no contexto de uma ação global para lidar com a TDAH.

“Essa síndrome deve ser tratada, na maioria dos casos por tratamentos sem medicamentos, mas eventualmente por tratamento com remédios, se for o caso”, avalia Cédric Gouchka, membro da Alta Autoridade de Saúde.

“Na França, existe apenas uma molécula disponível, o metilfenidato, comercializada com o nome de Ritalina. Não se pode ter medo. Se um especialista propõe aos pais é porque é recomendável e dentro de um contexto de segurança. Para nós, o importante é a eficiência para o tratamento para diminuir a deficiência da criança”, afirma.

Ausência de política pública no Brasil

No Brasil, os especialistas se organizam em associações como a ADBA, Associação Brasileira de Déficit de Atenção, e criam sites para ajudar na divulgação e informação do distúrbio. Para psicóloga Viviane Cornachini, criadora do site tdah.net.br, a ausência de políticas públicas dificulta uma melhor abordagem do problema no país.

“Dificulta para os profissionais da área de saúde e também para a população. Eu respondo muitas perguntas do tipo: 'eu tenho um filho suspeito de ter TDAH. O que faço?' As pessoas, de um modo geral, não sabem o que fazer”, diz.

“Eu oriento para um neurologista, que irá fazer as perguntas-chave para verificar (o distúrbio). O ideal seria que o neurologista encaminhasse para uma psicoterapia e fazer junto, se ele achar conveniente, a implementação medicamentosa. Mas nem sempre isso acontece”, afirma Viviane.
 


Sobre o mesmo assunto

  • Saúde

    Especialistas falam dos riscos de maquiagem para crianças

    Saber mais

  • Saúde

    Decisão de deixar prematuro viver ou morrer cabe aos médicos e não aos pais

    Saber mais

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. ...
  5. seguinte >
  6. último >
As emissões
 
Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.