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Rejeitados pela Europa, refugiados veem Brasil como destino seguro

Rejeitados pela Europa, refugiados veem Brasil como destino seguro
 
O refugiado sírio Talal e sua esposa Ghazal servindo quitutes árabes no bazar beneficente do Instituto de Reintegração do Refugiado. Acnur

Vinte de junho é o Dia Mundial do Refugiado. Uma ocasião para lembrar que, atualmente, guerras, perseguições e violações de direitos humanos obrigaram milhões de pessoas a deixar suas vidas para trás em busca de segurança e paz. Um drama que está no centro dos debates políticos internacionais e traz à tona as dificuldades das nações lidarem com um problema tão árduo. Enquanto a Europa se empenha em fechar cada vez mais as fronteiras, o Brasil vem recebendo um número crescente de refugiados com uma política elogiada pelas grandes instituições da área.

Nos últimos cinco anos aumentou em 2.000% o número de refugiados que procuraram o Brasil. Se em 2010 a média era de 500 a 600 pedidos por ano, hoje são 12 mil e, apenas no primeiro semestre de 2015, já foram feitas mais de 6.300 solicitações.

Andrés Ramirez, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), analisa porque o Brasil tem todas as condições para dar um bom acolhimento. "O Brasil é um país que, se comparado a outros do mundo que recebem refugiados, está muito bem, economicamente. A gente não tem como comparar o Brasil com os países da África ou do Oriente Médio. O Brasil é a sétima economia do mundo. E mesmo se o número de chegadas está aumentando, ainda é pequeno se compararmos com outras regiões do mundo e com a população brasileira, com a economia e o tamanho geográfico", diz Ramirez.

Política generosa que requer mais estrutura

No mapa geopolítico global, Ramirez contextualiza o Brasil e a Europa em termos de acolhimento de refugiados. Mesmo admitindo que é complicado comparar as duas regiões, ele constata que a situação na Europa é muito grave e que a política para os refugiados é cada vez mais restritiva, ao contrário da brasileira, que é bem generosa.

O problema, segundo o diretor da Acnur no Brasil, é a falta de estrutura do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), que tem que ser fortalecido, e as autoridades brasileiras sabem disso. "A situação de chegada de refugiados está piorando e isso vai continuar, e só vai aumentar", observa Ramirez, analisando que as crises mundiais, a política restritiva da Europa e a visibilidade do Brasil no plano internacional formam um conjunto que nos faz entender porque o país atrai cada vez mais refugiados.

De onde vêm os refugiados do Brasil?

Marcelo Haydu é um dos fundadores e diretor executivo do Instituto de Reintegração do Refugiado (Adus), sediado em São Paulo, que apoia os recém-chegados na sua adaptação ao novo país. Ponte entre refugiados e empresas, o Instituto oferece aulas de português e cursos profissionalizantes, e apoia administrativamente os que ainda não falam o português.

"As pessoas chegam de 81 países e as que mais nos procuram vêm da Síria, República Democrática do Congo, Mali, Nigéria, Costa do Marfim, Palestina... Esses são os que mais nos procuram", comenta, concordando com a Acnur no que se refere à falta de estrutura geral para se lidar com a crescente solicitação de refúgio.

"O Brasil não se preparou para a entrada dessas pessoas. São Paulo começa a se movimentar nesse sentido, foram criadas algumas estruturas de acolhimento e albergues, postos de saúde, mutirões com empresas para tentar que contratem os refugiados", explica Marcelo Haydu, concluindo que tudo isso ainda está muito aquém do que pode ser feito.

Veja o vídeo de refugiados agradecendo ao Brasil pela acolhida:

Com o apoio da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, refugiados que vivem na maior cidade da América do Sul conceberam e produziram este vídeo, no qual desconstroem preconceitos e mostram que são pessoas como você e eu.Curta e compartilhe. #DiaMundialdoRefugiado

Posted by Acnur/Unhcr Américas on vendredi 12 juin 2015

 


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