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Guiné-Bissau

Caiu o governo da Guiné-Bissau

media O presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, AFP FOTO / SIA KAMBOU

O Chefe de Estado guineense, José Mário Vaz, demitiu na noite de ontem o executivo liderado por Domingos Simões Pereira. No comunicado lido na Rádio Difusão Nacional o presidente alega "sinais de obstrução à justiça" para derrubar o governo.

A decisão foi divulgada depois de um discurso de duas horas e meia à nação, onde o chefe de Estado refere que uma remodelação governamental não chegava para resolver a crise política no país. No discurso de nove páginas, José Mário Vaz tece duras críticas ao executivo liderado por Domingos Simões Pereira. O presidente critica o funcionamento da administração pública. " Em vez de reduzir o número de funcionários, conforme o previsto no quadro da reforma da administração pública, tem-se verificado um aumento significativo e sem necessidade numa clara lógica de job for the boy".

O decreto presidência enumera casos e episódios em que a coabitação institucional foi posta em causa: " a substituição da Chefia do Estado Maior General das Forças Armadas; o fecho com a fronteira com a vizinha República irmã Guiné-Conacri e os incidentes com os rebeldes de Casamansa, que levou ao pedido de demissão do ministro da Administração Interna"

Má situação económica e obstrução da justiça

O Presidente denuncia a má situação económica do país fazendo alusão: "à exploração desenfreada dos recursos naturais, as areias de Varela, corte abusivo de árvores e delapidação dos recursos pesqueiros". José Mário Vaz acusa o governo de corrupção e nepotismo e questionou o destino de 85 milhões de euros recebidos nos cofres do Estado nos últimos 12 meses.

O Presidente da República evoca ainda "sinais" de obstrução à justiça por parte do governo liderado por Domingos Simões Pereira. "O governo tem revelado preocupantes sinais tendentes a obstruir a realização da justiça, susceptível de pôr em causa a autonomia e independência do judiciário".

Incompatibilidades de relacionamento institucional.

A somar-se a isto tudo, o decreto diz que a situação de crise foi "agudizada pela circunstância do presidente da Assembleia Nacional Popular ter induzido em erro os deputados da nação" e agravada pelo "último comunicado" do primeiro-ministro.

José Mário Vaz lamentou o facto não ter sido contactado pelo chefe do executivo, antes de este o acusar de querer derrubar o Governo com base na informaçéao do presidente do Parlamento.

No decreto presidencial que demite o governo e que entrou de imediato em vigor fica ainda registado que apesar dos esforços encetados, os dois  políticos não conseguiram ultrapassar as incompatibilidades de relacionamento institucional.

 

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.