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Moçambique

FMI em Maputo para clarificar dívidas ocultas

media

Missão do FMI em Maputo até dia 19 para clarificar áreas de penumbra reveladas pelo relatório ás dívidas ocultas, orçadas em mais de 2 mil milhões de dólares publicado pela Kroll a 24 de Junho.

Ao mesmo tempo em que se encontra em Moçambique uma missão do Fundo Monetário Internacional - FMI, que até ao próximo dia 19 vai discutir com o governo, a auditoria às dívidas ocultas do país, estimadas em mais de dois mil milhões de dólares, Venâncio Mondlane deputado pelo MDM na Assembleia da República sugere a retirada voluntária de todo o tipo de imunidade de que gozam as principais figuras alegadamente envolvidas no escândalo.

Orfeu Lisboa, correspondente em Maputo 10/07/2017 ouvir

"Todos aqueles que estão envolvidos e que tenham imunidade...neste momento em que há muitas acusações e muitas especulações, que façam voluntariamente a renúncia da sua imunidade e coloquem-se à disposição da investigação e da justiça".

Recorde-se que na altura da contratação das dívidas - entre 2013 e 2014 - o actual chefe de estado moçambicano Filipe Nyusi ocupava o cargo de Ministro da Defesa, Armando Guebuza era o Presidente da República e o actual deputado da Assembleia da República Manuel Chang era o Ministro das Finanças.

A missão do FMI que vai trabalhar no país até ao dia 19, vem investigar as áreas de penumbra que persistem na informação da auditoria realizada pela filial britânica da consultora KROLL  e cujo resumo foi publicado a 24 de Junho, sem citar qualquer nome relacionado com estas mesmas dívidas ocultas.

A Kroll queixou-se da falta de colaboração dos responsáveis pelas empresas, para disponibilizar informação sobre o destino dos empréstimos estimados em mais de dois mil milhões de dólares e indiciou várias pessoas (sem citar nomes) por má gestão e violação da lei.

Estas dívidas foram contraídas por três empresas, MAM, EMATUM e PROINDICUS detidas maioritariamento pelos Serviços de Informação e Segurança do Estado - SISE - com o aval do Estado, mas à revelia do parlamento e dos doadores (entre os quais o FMI) que em consequência suspenderam os seus apoios directos ao Orçamento Geral do Estado, condicionando a sua retoma aos resultados da auditoria da Kroll.

A missão do FMI que reagiu com "discreção" à auditoria, manteve já esta segunda-feira (10/07) um encontro com Adriano Maleiane, Ministro da Economia e Finanças de Moçambique, é chefiada pelo economista Michel Lazare, que liderou igualmente a missão do FMI ao país em 2016.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.