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Moçambique

Justiça moçambicana mantém jornalista Amade Abubacar na prisão

media Amade Abubacar, jornalista moçambicano https://www.facebook.com/photo.php?fbid=1865021463718776&set=a.1

O jornalista moçambicano Amade Abubacar, detido há 20 dias em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, vai aguardar o seu julgamento em prisão preventiva "para não perturbar as investigações", afirmou ontem em conferência de imprensa, Francisco Murrula, porta-voz do Tribunal Judicial da Província de Cabo Delgado.

"Não há receio de fuga. Mas há receio de que ele possa perturbar a investigação", justificou o porta-voz do tribunal acerca da situação de Amade Abubacar cuja defesa afirmou ainda no começo desta semana ter efectuado um pedido de libertação sob caução, até ao momento sem resposta.

Apesar de várias entidades dentro e fora do país apelarem à libertação imediata do jornalista por considerarem que se trata de uma detenção ilegal e de um ataque à liberdade de imprensa, a ONU considerando inclusivamente que as autoridades moçambicanas devem "investigar as alegações de que ele foi maltratado", a justiça moçambicana considera, por seu turno, que existem indícios de que Amade Abubacar cometeu os crimes de violação do segredo de Estado e instigação pública com recurso a meios informáticos.

Amade Abubacar, 31 anos, jornalista da rádio comunitária Nacedje e do portal Zitamar News, foi preso no passado dia 5 de Janeiro em Macomia, localidade de Cabo Delgado, no norte do país, quando estava a fotografar e recolher os depoimentos de populares em fuga das zonas onde têm ocorrido ataques de grupos armados desde Outubro de 2017.

Nos 13 primeiros dias da sua detenção, Amade Abubacar permaneceu numa base militar em Mueda, sem possibilidade de comunicar com o exterior para depois ser levado para um comando da polícia, e só recentemente, esta semana, foi levado para uma cadeia de máxima segurança em Pemba, indicaram fontes locais. Mais pormenores com Orfeu Lisboa.

Orfeu Lisboa, correspondente da RFI em Maputo 25/01/2019 ouvir

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