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Moçambique

Ciclone Idai: especulação de preços "não é ajudar"

media Crianças aguardam na fila da distribuição de alimentos em um centro para desabrigados na cidade de Beira, em Moçambique. REUTERS/Mike Hutchings

Duas semanas depois da passagem do ciclone Idai pela cidade da Beira, muitos habitantes queixam-se do aumento dos preços.

Com a passagem do ciclone Idai pelo centro de Moçambique, muitos supermercados foram destruídos e ou pilhados.

O aumento da procura fez aumentar os preços e a população, que ficou sem nada, queixa-se do aproveitamento dos que ainda têm algumas coisas para vender. É difícil encontrar produtos frescos "porque é preciso adquirir produtos para consumo imediato. Não há como conservá-los porque, por exemplo, eu não tenho energia". Quanto aos preços, "há um certo oportunismo por parte dos comerciantes porque as mercadorias entraram antes do ciclone", lamenta este habitante da Beira.

"Comprávamos um saco de arroz por 800 ou 900 e agora subiu para 1500. Está muito caro. Assim, não é ajudar porque podiam manter os preços para nos podermos reconstruir", descreve esta cliente.

A Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) denunciou o "aumento exagerado" de preços de 12 produtos alimentares básicos; peixe, frango congelado, arroz, farinha de trigo, óleo alimentar, açúcar, feijão manteiga, tomate, cebola, batata, ovos e farinha de milho. No caso do frango congelado o preço passou de cerca de 200 meticais para mil meticais - o que representa um aumento de 500%.

Face a este cenário, o primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário garantiu que o governo vai ter "mão dura" para com os especuladores e apelou ao sentimento de solidariedade que deve atravessar um país confrontado com uma catástrofe destas dimensões.

Reportagem de Cristana Soares na Beira 28/03/2019 ouvir
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