A repressão violenta ao movimento de revolta popular na Líbia esteve, nesta segunda-feira, no centro dos debates da abertura das reuniões do Conselho de Direitos Humano da ONU em Genebra. Em seu discurso durante as discussões da tarde, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que “apoiar a transição democrática no mundo árabe é um imperativo estratégico”.
"Devemos trabalhar juntos na adoção de medidas suplementares para que o governo Kadafi preste contas, para proporcionar ajuda humanitária e para apoiar o povo líbio em sua busca por uma transição para a democracia", disse Hillary, garantindo que os Estados Unidos não estavam envolvidos em negociações anteriores para a saída do líder líbio.
A secretária americana acusou o coronel Muammar Kadafi de usar "mercenários" e "brutamontes" para atacar os oposicionistas, que aumentam o cerco ao ditador. Disse também que Kadafi e o seu grupo devem prestar contas por seus atos que "violam leis internacionais e a decência".
Mais cedo em Genebra, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse que as sanções internacionais contra a Líbia devem ser coordenadas. Em outra reunião desta segunda-feira, em Bruxelas, ministros da União Europeia adotaram novas sanções contra a Líbia e o ditador do país, entre elas o embargo da venda de armas, o bloqueio de contas bancárias, além da proibição de Kadafi e de 25 pessoas próximas a ele de viajar em território europeu. A exemplo do Conselho de Segurança da ONU, que havia anunciado sanções parecidas no fim de semana.
Nesta segunda-feira, o presidente Barack Obama recebe o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, na Casa Branca, para discutir a adoção de novas sanções multilaterais contra a Líbia.
Crime contra a humanidade
O procurador da Corte de Haya, Luis Moreno-Ocampo, anunciou nesta segunda-feira que a Corte fará uma análise preliminar das violências na Líbia, que pode resultar em um processo contra Kadafi por crime contra a humanidade, a pedido do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Esta é a segunda vez, desde 2002, que o Conselho transfere um caso para a Corte. A primeira vez foi em 2005, quando o Conselho pediu uma investigação sobre o genocídio no Darfour.
Ainda na Líbia, a oposição já tomou conta de grande parte do país. Kadafi e parte das forças de segurança que continuam fiéis ao coronel controlam apenas a ergião onde fica a capital Tripoli. O líder líbio também perdeu o controle dos principais campos de petróleo, que agora estão nas mãos da oposição.
Os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda, seu apoio ao opositores que criaram um governo de transição. O Conselho Nacional Independente, criado para representar as cidades "livres", tenta organizar a administração do estado e incita a população a voltar ao trabalho.
Desde o início dos conflitos, mais de 100 mil pessoas já fugiram da Líbia.