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Mundo

Egito vive confrontos violentos entre exército e manifestantes

media Polícia tenta conter manifestantes durante protesto na praça Tahrir, no Cairo. Reuters

Pelo menos nove pessoas morreram desde a retomada dos confrontos entre manifestantes e as forças de ordem na sexta-feira no Cairo. Segundo informações oficiais divulgadas neste sábado, mais de 360 pessoas ficaram feridas nos últimos dois dias. Os egípcios protestam contra a permanência dos militares no poder após a queda do presidente Hosni Mubarak.

Os confrontos que começaram na sexta-feira na capital egípcia se intensificaram neste sábado. De acordo com o ministro da Saúde, Fouad al-Nawaoui, pelo menos nove pessoas morreram e 361 ficaram feridas no Cairo nas últimas 24 horas.

Um forte esquema de segurança foi montado para que os manifestantes não se aproximassem da sede do governo. Barreiras com arame farpado e até um parede foi construída em uma avenida a poucos metros da praça Tahrir, centro da concentração popular no Egito. O que não impediu que uma verdadeira batalha de pedras e coquetéis Molotov tomasse conta da região. Todas as barracas instaladas na praça foram queimadas e no início da tarde o trânsito havia sido retomado na zona.

O primeiro-ministro egípcio, Kamal al Ganzouri, que comanda interinamente o governo, garante que “nem a polícia, nem o exército atiraram nos manifestantes”. Segundo ele, as pessoas que protestam atualmente na praça Tahrir não são os jovens da revolução. “Essa não é uma revolução, e sim um contra-revolução”, frisou.

Apesar dessas declarações, 11 dos 30 membros do conselho implementado pelo exército para discutir com com as forças políticas renunciaram. “Nós havíamos feito recomendações na sexta-feira, mas ficamos surpresos ao ver que elas não foram respeitadas e que havia mais vítimas no sábado”, declarou o vice-presidente do conselho, Aboul Ela Madi.

Os confrontos acontecem em pleno período de transição política no país, que organizou esse mês suas primeiras eleições legislativas desde a queda do presidente Hosni Mubarak no início do ano. Os partidos islamistas saíram vencedores nas duas primeiras fases do pleito e o novo chefe de Estado deve ser escolhido em meados de 2012.
 

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