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Artigo

Jovem acusada de blasfêmia ao Alcorão será libertada no Paquistão

media Tahir Naveed Chaudhry, advogado da jovem Rimsha AFP PHOTO/ Farooq NAEEM

Rimsha Masih, a adolescente cristã acusada de blasfemar contra os muçulmanos no Paquistão, será libertada sob caução, alguns dias após a detenção de um imã suspeito de ter montado uma armadilha para fazer com que ela fosse presa.

O anúncio de sua libertação foi feito nesta sexta-feira, mas ainda não se sabe quando Rimsha deixará a prisão. Ela pode correr perigo caso volte para seu vilarejo proximo de Islamabad. No Paquistão, pessoas acusadas de blasfêmia, mesmo inocentadas pela justiça, são linchadas pela multidão. Segundo o advogado da jovem Rimsha, esta é a primeira vez que uma pessoa acusada de blasfêmia consegue a libertação. Os acusados de blasfêmia no Paquistão, são punidos à prisão perpétua ou até mesmo à pena de morte, antes de serem apontados como responsáveis de terem proferido insultos ao profeta Maomé.

O caso de Rimsha Masih, presa em meados de agosto, mobilizou os grupos de defesa dos direitos humanos e alimentou a polêmica sobre a severa legislação que condena no Paquistão qualquer ato ou mensagem contra o Islã ou o profeta Maomé. Críticos da a lei consideram que seu texto pouco claro encoraja abusos e estimula a discriminação contra as minorias religiosas.

Rimsha Masih foi acusada de ter queimado páginas do Alcorão. Mas testemunhas indicaram que o imã Khalid Jadoon Chishti teria rasgado ele mesmo as páginas do livro santo e colocado os pedaços em uma sacola da adolescente que continha papéis queimados.

Rimsha sairá da prisão somente depois do pagamento de um caução de mais de 20 mil reais e sob garantia de encontrar uma residência segura. Mesmo após o pagamento, a justiça ainda poderá se pronunciar sobre o destino de Rimsha. A próxima audiência está marcada para daqui a três ou quatro meses. A organização Human Rights Watch pediu ao governo paquistanês que assegurasse a libertação da jovem cristã, de apenas 14 anos, e que revisasse a lei sobre a blasfêmia, defendida severamente pelos muçulmanos radicais.

O caso conheceu uma reviravolta quando a polícia paquistanesa prendeu o imã da mesquita do bairro de Rimsha. Ele teria queimado folhas misturadas aos versos do Alcorão, para incriminar os cristãos do bairro. Sua intenção seria expulsar os cristãos do bairro, responsáveis pela alta dos preços dos imóveis na região. O caso Rimsha recebeu atenção especial de entidades ligadas aos direitos humanos e aos muçulmanos, além de ter sido alvo de declarações por parte da França, dos Estados Unidos e do Vaticano.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.