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Mundo

Em visita histórica a Mianmar, Obama faz apelo por democracia

media O presidente norte-americano, Barack Obama, reencontrou-se, nesta segunda-feira, com a líder da oposição e Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi. REUTERS/Soe Zeya Tun

Primeiro presidente americano em exercício a visitar Mianmar, ex-Birmânia, Barack Obama lançou nesta segunda-feira um apelo pela instauração de uma democracia completa no país. Em uma estadia de apenas algumas horas, o chefe de Estado se encontrou com o presidente Thein Sein e com a líder da oposição, Aung San Suu Kyi.

Ao desembarcar na capital Rangun, Obama foi recebido por centenas de simpatizantes e cartazes de boas-vindas. A cidade estava toda decorada com bandeiras americanas, que até há pouco tempo representavam o inimigo absoluto.

"Os Estados Unidos estão com vocês", declarou o presidente americano em um longo discurso na universidade, um dos bastiões da luta pela democracia no país. "Essa viagem notável acaba de começar e ainda será longa. As chamas frágeis do progresso não devem se extinguir, elas devem se tornar uma estrela guiando o povo da nação."

Ele se reuniu com o presidente Thein Sein, o general que serviu a junta militar por quase meio século mas que depois de assumir a presidência, há um ano e meio, tem se empenhado em realizar reformas de abertura política.

Para reafirmar suas intenções, 44 presos políticos foram libertados nesta segunda-feira, segundo informou a associação de assistência aos presos políticos birmaneses sediada na Tailândia. Obama, de sua parte, anunciou a reabertura de um escritório em Mianmar da USAID, a agência americana para o desenvolvimento internacional.

O democrata também foi à casa da líder da oposição Aung San Suu Kyi, onde ela passou 15 anos em prisão domiciliar. San Suu Kyi, vendo ainda muito trabalho pela frente para a redemocratização de seu país, declarou que o momento mais difícil de uma transição é quando o sucesso está ao alcance e não pode ser confundido com uma miragem. Esse foi o segundo encontro entre os dois vencedores do prêmio Nobel da Paz. 

Washington apoia o processo de abertura política em Mianmar, de olho nas oportunidades de negócios para as empresas americanas. Os Estados Unidos suspenderam no último ano boa parte do embargo comercial imposto durante a ditadura.

Os confrontos violentos no oeste do país entre budistas da etnia rakhine e muçulmanos da minoria apátrida dos Rohingyas, que já deixaram 180 mortos, também foram mencionados por Barack Obama em seu discurso. 

"Durante tempo demais, o povo desse país, incluindo a etnia rakhine, teve que enfrentar uma pobreza esmagadora e a perseguição. Mas não há justificativa para a violência contra os inocentes", declarou o presidente americano. "Os Rohyngas possuem a mesma dignidade que vocês e eu. A reconciliação nacional vai levar tempo, mas para nossa humanidade comum e o futuro desse país, é tempo de parar com as incitações à violência."

Após a visita a Mianmar, Barack Obama seguiu para o Camboja, onde participa de uma cúpula asiática.
 

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