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Mundo

Teresa May estreia-se em Bruxelas com discurso para consumo interno

media Theresa May primeira ministra britânica REUTERS/Matt Cardy/Pool

A primeira ministra britânica Theresa May afirmou hoje perante o Conselho Europeu em Bruxelas que o Reino Unido assume plenamente o seu papel no seio da União Europeia até ao "Brexit".

A primeira ministra britânica Theresa May participou esta quinta-feira (20/10) em Bruxleas no seu primeiro Conselho Europeu, perante o qual defendeu a manutenção das relações entre o Reino Unido e a União Europeia até à concretização do "Brexit" provavelmente nunca antes de 2019, dado que ela mesma anunciou que até Março de 2017 accionaria o artigo 50 do Tratado de Lisboa, e em seguida as negociações deverão durar "dois anos ou mais" anunciou ontem May perante o parlamento.

A questão da livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais é um dos pilares impostos pela União Europeia, mas Theresa May evocou perante os seus pares que pretende fazer aplicar o controlo da imigração inclusivé dos cidadãos da UE.

O governo britânico pretende diminuir o número de imigrantes anuais de mais de 300 mil para 100 mil e ainda hoje o ministro do "Brexit" David Davis afirmou que o país vai continuar a garantir a "livre circulação de cérebros" sendo encarada a hipótese de atribuição de vistos "à la carte" consoante as necessidades das empresas.

Marisa Matias, eurodeputada do Bloco de Esquerda 20/10/2016 ouvir

A  europdeputada portuguesa do Bloco de Esquerda Marisa Matias considera tal medida "inaceitável...num quadro em que querem manter a livre circulação de mercadorias, de capitais, manter todas as vantagens e depois colocar em causa aquilo que é um príncipio fundamental que é o da livre circulação de pessoas, não podemos de maneira nenhuma aceitar isso".

O  governo britânico está por sua vez dividido quanto à estratégia a seguir para o "Brexit", com o chefe da diplomacia Boris Johnson a insistir sobre a necessidade de controlo da imigração e o das finanças Philip Hammond  a priorizar a protecção da economia.

Este contexto agrava-se com a ameaça de secessão da Escócia, que no referendo de 23 de Junho votou maioritariamente contra o Brexit e  ameaça realizar um referendo sobre a sua independência do Reino Unido.

Marisa Matias considera ainda que Theresa May tem um "discurso para consumo interno e outro no Conselho Europeu e tentou desviar as atenções do "Brexit" para concentrar-se nas questões da Rússia [e sua intrervenção na Síria]".

A eurodeputada questiona a "legitimidade do voto dos deputados britânicos no Parlamento Europeu", dado que o seu número influencia o sentido do voto global em "dossiers" que não serão aplicados no Reino Unido".

 

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