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Myanmar quebra silêncio em relação aos rohingyas

media Um grupo de rohingyas foge da violência no estado de Rakhine REUTERS/Mohammad Ponir Hossain

Aung San Suu Kyi quebrou o silêncio em relação aos rohingyas. A líder de facto de Myanmar criticou o "icebergue de desinformação" e assegurou que irá "proteger" os direitos de todas as pessoas do país.

A líder da ex-Birmânia denunciou esta quarta-feira aquilo que designou ser o “icebergue da desinformação” que dá uma visão errada da crise dos muçulmanos, que alarma a comunidade internacional.

Este é o primeiro comentário oficial Naypyidaw desde o início dos confrontos em finais de Agosto. A Prémio Nobel da Paz foi extremamente criticada pelo seu silêncio sobre a perseguição desta minoria muçulmana, que foge aos milhares para o Bangladesh.

A compaixão internacional sobre os muçulmanos rohingyas é o resultado de “um enorme iceberg de desinformação criado para gerar problemas entre as diferentes comunidades e promover os interesses de terroristas”, declarou Aung San Suu Kyi numa conversa telefónica com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

O presidente da Turquia condenou, por diversas vezes, a resposta do Governo de Myanmar a esta crise, falando de “genocídio” na região do nordeste da antiga Birmânia, no estado de Rakhine.

Uma acusação rejeitada por Aung San Suu Kyi, que sempre defendeu a acção do exército e garantiu que o seu país “zela para que todos os habitantes vejam os seus direitos protegidos”.

Segundo as organizações humanitárias, cerca de 146 mil refugiados, principalmente rohingyas, chegaram ao Bangladesh desde 25 de Agosto. Milhares estariam ainda a caminho deste país e centenas bloqueados na fronteira.

Os episódios de violência começaram a 25 de Agosto com o ataque a dezenas de esquadras da polícia perpetrado pelos rebeldes do Exército de Salvação do Estado Rohingya, que dizem defender a minoria muçulmana.

Desde essa altura que o exército de Myanmar desencadeou uma vasta operação nesta região pobre e recôndita que já fez, pelo menos, 400 mortos.

Há décadas que a minoria muçulmana rohingya, que totaliza cerca de um milhão de pessoas em Myanmar, é vítima de discriminação no país. Considerados como estrangeiros na antiga Birmânia, país maioritariamente (90%) budista, os rohingyas são apátridas, mesmo se alguns vivem no país há várias gerações.

Não têm acesso ao mercado de trabalho, às escolas nem hospitais. O crescimento do nacionalismo budista, nestes últimos anos, atiçou a hostilidades sectárias, com o registo de confrontos mortais.

Uma situação que aos olhos da comunidade internacional é intolerável, que consequentemente considerava o silêncio de Aung San Suu Kyi inaceitável. Esta quarta-feira, milhares de muçulmanos manifestaram-se em Jacarta (Indonésia) a exigirem o fim da violência. Antes, na segunda-feira, Malala Yousafzai criticou a gestão da crise por parte das autoridades de Myanmar. A jovem Prémio Nobel da Paz sublinhou o “tratamento vergonhoso de que os rohingyas estão a ser alvo”.

Todavia, alguns analistas estimam que Aung San Suu Kyi, também ela Prémio Nobel da Paz, é impotente face ao crescimento dos budistas extremistas e face a um exército que continua pujante, inclusive no domínio politico deste país que viveu durante cerca de 50 anos debaixo de uma ditadura militar.

Após uma investigação sobre a última escalada de violência em Rakhine, as Organizações das Nações Unidas denunciaram a repressão “sistemática e generalizada” perpetrada essencialmente pelo exército contra os rohingyas. A ONU acredita que poderia estar em curso uma “limpeza étnica” e “provavelmente” crimes contra a humanidade.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.