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Mundo

Violência em duas frentes na Síria

media Com uma criança nos braços, um homem foge dos bombardeamentos do regime sírio na Guta Oriental no passado dia 19 de Fevereiro. ABDULMONAM EASSA / AFP

Pelo quarto dia consecutivo, o regime sírio está a bombardear a zona da Guta Oriental, feudo rebelde perto da capital, tendo causado pelo menos 38 mortos, enquanto noutra frente, junto da fronteira com a Turquia, o exército de Erdogan continua a sua operação contra os curdos em Afrin.

Apesar dos protestos internacionais, o banho de sangue continua. Pelo menos 38 mortos, mais de 200 feridos, várias estruturas, nomeadamente hospitais tornados inoperantes, este é o balanço do quarto dia de operações aéreas com bombas e barris de explosivos do regime de Bachar al Assad sobre a Guta Oriental, zona controlada pelos rebeldes perto da capital.

Asfixiada pelas tropas governamentais desde 2013, segundo a imprensa pro-governamental, esta zona deveria ser palco em breve de uma operação terrestre para desalojar os rebeldes entre os cerca de 400 mil habitantes cercados, um modo operatório já utilizado no passado para reconquistar por exemplo a zona de Alepo ou Homs no norte do país.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, em quatro dias, 310 civis entre os quais mais de 70 crianças morreram nos bombardeamentos do regime, esta entidade referindo ainda que a situação humanitária é particularmente grave, com casos de fome e feridos sem tratamento, pelo que o Comité Internacional da Cruz Vermelha reclamou ainda hoje um acesso àquela região de modo a socorrer as populações.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos refere também que a Rússia, aliada de Bachar al Assad tem participado nesses bombardeamentos, mas Moscovo já desmentiu.

Entretanto, noutra frente, desde o 20 de Janeiro, o regime de Recep Erdogan está a bombardear Afrin, zona da Síria controlada pela milícia das Unidades Curdas de Protecção do Povo, uma organização terrorista na óptica de Ancara. O conflito chegou ontem a um novo patamar com a Síria a enviar tropas àquela zona no intuito de apoiar as forças curdas, o que levou hoje um porta-voz do Presidente turco a declarar que quem tentar apoiar os curdos "se torna do seu ponto de vista um alvo legítimo".

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