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Mundo

Mais de 40 milhões de "escravos modernos" no mundo

media A Walk Free contabilizou mais de 40 milhões de "escravos modernos" dispersos pelo mundo. walkfree.org

A fundação australiana de luta contra a escravatura moderna Walk Free apresentou ontem na sede da ONU em Nova Iorque o seu relatório anual. Este documento, fruto da análise da situação de 167 países, conclui que cerca de 40 milhões e 300 mil pessoas vivem em situação de "escravatura moderna".

Embora não seja uma noção jurídica, a fundação Walk Free abrange no termo "escravatura moderna", o tráfico de seres humanos, escravidão ou práticas semelhantes, o casamento forçado, a venda e exploração infantil ou ainda a servidão por dívida. Ao referir que este fenómeno não é apenas o problema dos países onde ele acontece mas que os países economicamente mais desenvolvidos também têm as suas responsabilidades, a Walk Free enumera entre os factores que contribuem para esta situação, os conflitos, a destruição do meio ambiente, os regimes autoritários ou ainda a falta de ética nos negócios.

Entre os mais de 40 milhões de seres humanos no mundo vítimas de "escravatura moderna", a Walk Free constatou que 71% são mulheres, sendo que esta prática presente de uma forma ou de outra em todo o globo tem particular premência na Ásia e em África.

Na Índia nomeadamente, a ONG contabiliza quase 8 milhões de pessoas em situação de escravatura moderna, na China seriam quase 4 milhões, no Paquistão, seriam um pouco mais de 3 milhões e na Coreia do Norte, mais de 2,5 milhões. Em seguida, no continente africano, os casos mais numerosos encontram-se designadamente na Nigéria com quase 1,5 milhões de escravos modernos e na República Democrática do Congo com um pouco mais de um milhão.

No espaço lusófono, a Walk Free indica que Angola, Brasil e Moçambique são os países lusófonos com maior número de "escravos modernos". Os 3 países totalizam 720 mil pessoas vivendo nestas condições, sendo que o Brasil contabiliza 369 mil, Angola tem cerca 199 mil e Moçambique 152 mil. Entre os restantes países lusófonos, Portugal, tem 26 mil, Guiné-Bissau 13 mil, Timor-Leste 10 mil, a Guiné Equatorial 7 mil, e Cabo Verde tem 2 mil "escravos modernos", São Tomé e Príncipe não constando do relatório.

Paralelamente, a Walk Free coloca na cauda do ranking a Mauritânia, Luxemburgo, Suriname e Barbados com números de casos iguais ou inferiores a mil.

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