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Mundo

Rússia e China fazem demonstração de força em Vladivostok

media Para além de 300 mil homens, estas manobras russas envolvem mais de mil aviões, cerca de 36 mil blindados e outros veículos bem como uns 80 navios (foto de ilustração). REUTERS/Maxim Shemetov

A Rússia deu início hoje às manobras militares mais importantes jamais organizadas desde a queda da União Soviética. Denominadas "Vostok 2018", estas manobras que decorrem até ao 17 de Setembro na zona de Vladivostok, no extremo leste da Rússia junto da fronteira com a China, envolvem 300 mil homens, sendo que a China também aumentou a sua presença nestes exercícios para os quais enviou uns 3 mil militares.

De acordo com o Ministério russo da Defesa, trata-se para Moscovo de enviar forças suplementares no extremo-oriente russo e proceder a um reagrupamento naval implicando as suas frotas do norte e do Pacífico. Estas movimentações não deixam evidentemente de suscitar reacções: Tóquio, nomeadamente, deu conta da sua preocupação, levando Moscovo a especificar que os exercícios não abrangem as ilhas Curilas, no centro de disputas territoriais entre o Japão e a Rússia.

Contudo, em paralelo com aquilo que é visto como uma demonstraçao de força com meios humanos e logísticos excepcionais, decorre também desde hoje em Vladivostok o 4° Fórum Económico Oriental, uma cimeira envolvendo a Rússia e países da Ásia.

Neste encontro, uma vez mais, é o eixo Moscovo-Pequim que está a sobressair, numa altura em que a Rússia está cada vez mais de costas voltadas com os países ocidentais e os americanos em particular, sendo que -por sua vez- a China está em plena guerra comercial com os Estados Unidos.

"A imprevisibilidade do clima geopolítico torna a parceria Rússia-China ainda mais importante" sublinhou o Presidente chinês em conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo russo, destacando a necessidade de "se oporem ao proteccionismo" e ao "unilateralismo", sem mencionar directamente a política de Trump. No âmbito desta autêntica lua-de-mel, Putin também sublinhou que Moscovo e Pequim pretendem utilizar cada vez mais as suas respectivas moedas nacionais em detrimento do Dólar nas suas trocas comerciais.

Desde 2014, depois da anexação da Crimeia e das sanções internacionais que se seguiram, a Rússia tem vindo a voltar-se cada vez mais para a China, o que se reflectiu nas suas relações comerciais, o volume de negócios tendo atingido cerca de 50 mil milhões de Euros entre Janeiro e Julho deste ano, o que representa um aumento das trocas bilaterais de quase 26% desde o desde o começo do ano.

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