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Mundo

Khashoggi: MBS fala pela primeira vez

media Mohamed Ben Salmane, príncipe herdeiro da Arábia Saudita FAYEZ NURELDINE/AFP

Poucas horas depois de manter uma primeira conversa telefónica com o presidente turco durante a qual foram abordados os esforços a serem levados a cabo em conjunto para investigar o "caso Khashoggi", o príncipe herdeiro saudita Mohamed Ben Salmane falou hoje pela primeira vez em público sobre Jamal khashoggi, jornalista saudita assassinado há três semanas no consulado do seu país em Istambul. Expressando-se no âmbito do fórum internacional de investimento saudita, o chamado "Davos do deserto", o herdeiro do trono saudita qualificou este homicídio de "crime hediondo", afirmou que Riade está a cooperar com Ancara e que "irá prevalecer a justiça".

"O que se passa é muito doloroso para todos os sauditas. Considero que esta situação é triste para todos e algo abjecto. O nosso país irá tomar todas as medidas legais para investigar, concluir os processos juntamente com o governo turco e obviamente levar os culpados perante a justiça. É o papel de todo o governo que se encontre nesta posição dolorosa", foi em substância o que declarou MBS, após dias a ser directa ou indirectamente acusado de ser o mandatário do assassinato de Jamal Khashoggi, nomeadamente pela imprensa turca que ainda hoje falava da proximidade de 5 dos executantes com o príncipe herdeiro, enquanto o presidente do Irão considerava que Riade nunca teria ordenado este assassinato sem a luz verde de Washington.

Todavia, o certo é que neste cenário, MBS não é o único a estar numa postura desconfortável: os parceiros da Arábia Saudita também o estão. A Alemanha que apelou a um boicote da venda de armas a Riade, suspendeu os seus -modestos- contratos neste sector, o Canadá não exclui a anulação de um contrato de cerca de 10 mil milhões de Euros sobre a venda de veículos blindados, mas não deu uma resposta categórica.

Mais lapidar foi Trump que disse claramente "não gostar da ideia de perder um investimento de 110 mil milhões de Dólares" que, em alternativa, na sua óptica "iriam ser gastos na China e na Rússia". No mesmo sentido, o chefe do governo espanhol disse que a sua prioridade é "a defesa dos interesses da Espanha, o trabalho de sectores estratégicos situados na sua maioria em zonas muito afectadas pelo drama do desemprego". Já a presidência francesa, apesar de muita ebulição política interna sobre o caso, excluiu qualquer "decisão apressada" em relação a Riade.

Segundo um relatório entregue ao parlamento francês este ano, a Arábia Saudita é a seguir à Índia o principal cliente da França no sector do armamento. No espaço dos últimos 9 anos, foram validados mais de 11 mil milhões de Euros de encomendas de armamento francês por Riade, Paris sendo o segundo maior fornecedor de armamento à Arábia Saudita a seguir aos Estados Unidos. Salvo alguma mudança de programa, o Presidente Macron é esperado no final do ano em Riade para a assinatura de novos contratos, no âmbito de elos de cooperação que têm vindo a reforçar-se entre os dois países nos últimos tempos.

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.