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Mundo

Iémen negocia paz na Suécia

media Castelo de Johannesberg em Rimbo na Suécia, 4 Dezembro de 2018. TT News Agency/Janerik Henriksson via REUTERS

As negociações de paz para o Iémen começaram esta quinta-feira, na Suécia, entre o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, e os rebeldes, apoiados pelo Irão, anunciou o mediador das Nações Unidas, o britânico Martin Griffiths.

O mediador da ONU "quer anunciar a retomada do processo político inter-iemenita na Suécia a 6 de Dezembro de 2018", informou pelo Twitter. Os representantes rebeldes chegaram na terça-feira à noite à Suécia, a bordo de um avião especial Kuwait, no qual também viajou Martin Griffiths.

Os representantes do governo, que saíram de Riad, chegaram ontem à noite a Estocolmo.

A guerra no Iémen começou em 2014, onde uma parte significativa da população está à beira da fome. Estas negociações são as primeiras desde 2016.

A delegação é composta por 12 membros do governo iemenita e é chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Khaled al Yemani.

A delegação é "portadora das esperanças do povo iemenita", afirmou Abdullah Alimi, chefe do gabinete do presidente Abd Rabo Mansur Hadi, que se refugiou na Arábia Saudita depois de os rebeldes xiitas huthis terem conquistado a capital iemenita, Sanaa, em 2014.

Uma fonte diplomática do Conselho de Segurança da ONU disse à Agência France Presse que "tem poucas esperanças" de que estas conversações possam levar a progressos concretos.

"Primeiro passo vital" 

Os representantes dos rebeldes foram avistados nas proximidades do centro de conferências do castelo de Johannesbergs, localizado a cerca de 60 quilómetros de Estocolmo, sob alta protecção policial.

"Não temos ilusões e sabemos que este processo não será fácil, mas damos as boas-vindas a este primeiro passo vital e necessário", descreveu o Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, na terça-feira.

Os rebeldes xiitas huthis "não vão poupar esforços para que as negociações correram bem", disse Mohamed Abdelsalam, chefe da delegação rebelde.

Uma das medidas que pode favorecer estes encontros é a assinatura de um acordo entre os rebeldes e o governo do presidente Abd Rabbo Mansur Hadi, actualmente no exílio, para a troca de centenas de prisioneiros.

Hadi Haig, responsável da questão dos detidos para o governo iemenita, declarou que o acordo assinado vai afectar entre 1.500 e 2.000 membros das forças pró-governo e entre 1.000 e 1.500 rebeldes huthis. A troca de prisioneiros deverá acontecer logo depois as negociações na Suécia.

Uma oportunidade "decisiva"

A evacuação, na segunda-feira, dos rebeldes huthis feridos para o Sultanato de Omã abriu caminho para estas conversações na Suécia.

A reabertura do Aeroporto Internacional de Sanaa, que estava fechado há três anos, o registo de áreas minadas pelos rebeldes, um cessar-fogo e a abertura de corredores humanitários são temas que vão estar em cima da mesa destas negociações.

O Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC) lançou um pedido para que os dois lados ponho termo aos combates.

"Os beligerantes devem aplicar os meios para reabrir todos os portos e estabilizar a economia nacional que está afundada, enquanto facilitam o acesso total da ajuda humanitária", declarou o NRC.

Segundo o Banco Mundial, o conflito provocou um aumento na crise económica do país, com uma contração do PIB de 50%, desde 2015.

Em 2014, os rebeldes huthis conquistaram partes do território do iemenita, incluindo a capital Sanaa e a cidade estratégica portuária de Hodeida.

Em Março de 2015, a Arábia Saudita passou a liderar uma coligação militar de apoio ao governo do Iémen, para controlar o avanço dos huthis. Desde então, o conflito itrou a vida a quase 10.000 pessoas, fez mais de 56.000 feridos, de acordo com dados das Nações Unidas.

A guerra foi progressivamente transformada numa "guerra por procuração" entre os grandes rivais regionais, sauditas e iranianos.

O ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, cujo país é um pilar da coligação militar, considerou que as negociações oferecem "uma oportunidade decisiva para iniciar com sucesso uma solução pacífica".

Quase 80% da população do país, aproximadamente 24 milhões de pessoas, "precisa [...] de protecção e assistência humanitária", segundo a ONU. Em todo o país, 18 milhões de pessoas são afectadas por insegurança alimentar, dos quais 8,4 milhões já sofrem de "fome extrema".

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Lamentamos, mas o prazo para estabelecer a ligação em causa foi ultrapassado.