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Mundo

Karl Lagerfeld: morte de um gigante

media Karl Lagerfeld junto dos seus modelos e uma das suas musas, Inès de la Fressange (à direita). Reuters

Morreu hoje aos 85 anos de idade Karl Lagerfeld, gigante da moda francesa, cujo nome está intimamente ligado à casa de alta-costura Chanel da qual foi director artístico durante 36 anos, a par de outros templos do luxo como Balmain, Chloé e Fendi. Admitido ontem à noite no hospital americano de Neuilly nas imediações de Paris, andava ultimamente "cansado" segundo os seus mais próximos colaboradores.

"Acho-me sempre preguiçoso, que se pode fazer melhor e como vivo num estado de insatisfação pessoal, isto é muito estimulante" disse ele numa entrevista televisiva em 2017. Este poderia ter sido o lema de Karl Lagerfeld. Cabelo imaculado atado, óculos escuros, fato preto, camisa branca e muitos anéis nos dedos, ele era conhecido pela alcunha de "Kaiser", a sua fala de metralhadora e formulas choque. Karl Lagerfeld ficou também e sobretudo conhecido pela sua imensa criatividade, capacidade em fundir-se nas identidades das casas de alta-costura com as quais colaborou, o que não o impediu de cultivar um certo mistério.

Presume-se que ele nasceu em 1933 em Hamburgo. Cresceu numa família abastada da Alemanha nazi. Contava da sua infância que a mãe era severa, de verbo impiedoso e farpa fácil, mas que lhe deu o gosto pela leitura e as artes. Parte com ela viver em Paris nos anos 50 onde, rapidamente, vai entrar no mundo da moda. Em 1954, ganha um concurso ex-aequo com um certo Yves Saint Laurent do qual será amigo, rival na moda e também nos amores, na pessoa de Jacques Bascher, amador como Saint Laurent de paraísos artificiais e cuja morte em 1989, lança uma sombra na vida de Lagerfeld, o seu companheiro.

Paralelos entre os dois pilares da moda francesa haverá alguns, mas enquanto Yves Saint Laurent com um pouco mais de 20 anos vai subir para o estrelato, ao dirigir a casa Dior e a seguir a sua própria marca, o começo de Lagerfeld será mais laborioso.

Nos anos 60, aquele que se definia como um "mercenário da moda" colabora com a casa Balmain, seguindo para Patou e Chloé, antes de trabalhar para a casa italiana Fendi e por fim, Chanel em 1983. A casa com os "C" cruzados é na época uma marca poeirenta. Ele retoma os seus clássicos, os saia-casaco de tweed, as camélias brancas, os longos colares de pérolas, as bolsas acolchoadas e moderniza-os ao ponto de reerguer a casa ao nível das maiores marcas da moda internacional.

Nos anos 80, vestir-se Chanel ou as suas imitações torna-se do último chique e os seus desfiles, sempre mais espectaculares e originais, são shows aos quais é preciso assistir. São a rampa de lançamento das suas musas, Inès de la Fressange e Claudia Schiffer. Ele-próprio torna-se uma marca, um símbolo desse Paris fantasiado  e desmedido da moda e da festa. No entanto, ele não bebia, não fumava, não se drogava e até seguia uma dieta rigorosa para vestir os esguios fatos de Hedi Slimane.

Durante 36 anos, as suas criações nunca vacilam. Ele desenha, ele tira as fotografias das campanhas da Chanel e das mulheres mais lindas do globo, ele colecciona um número inimaginável de livros, abre uma editora e apresenta numa cadência infernal várias colecções de diversas marcas, incluindo a sua que permanece confidencial. E no final do desfile, aparece invariavelmente para saudar a multidão junto da noiva.

No passado 22 de Janeiro, dia do mais recente desfile da Chanel, ele não apareceu, o que alimentou suposições. Foi substituído naquele dia pela sua mais próxima colaboradora, "o seu braço direito e o seu braço esquerdo", que é doravante a nova directora artística da casa, Virginie Viard. O retrato do "Kaiser".

Retrato de Karl Lagerfeld 19/02/2019 ouvir

Hoje, Rue Cambon, morada histórica da Chanel em Paris, desfilaram admiradores anónimos e nas redes sociais ou nos médias, também foram foram numerosas as reacções, nomeadamente no mundo da moda e da cultura. A conhecida redactora americana de moda Anna Wintour saudou a memória do costureiro considerando que "hoje o mundo perdeu um gigante", a manequim Linda Evangelista que foi também uma das suas musas nos anos 90 evocou-o como sendo o "grande amor da sua vida" e o antigo ministro francês da cultura, Jack Lang, referiu-se a Lagerfeld como sendo o "Citizen Kane da moda".

Anticonformista e provocador até em relação aos seus planos depois de falecer, nos últimos anos, declarava ostensivamente que quem iria herdar a sua fortuna seria Choupette, a sua querida gata siamesa branca que para além de ser "uma miúda rica" à conta dos anúncios publicitários nos quais participou, tem um autêntico clube de 48 mil followers no Twitter. Avesso a honras, expressou antes de morrer o desejo de não ser objecto de grandes homenagens nacionais. Em 2015, fiel ao seu sentido da fórmula, disse em entrevista "Se um dia eu morrer, não quero funeral. Acho isso horrível. Quero somente desaparecer como os animais da selva. é horrível empatar as pessoas com os seus restos mortais".

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